Quando "o homem deixa de viver o tempo profano e desprovido de sentido, já que imita a um arquétipo divino".
Mircea Eliade
Em alguns momentos, quando o profano e o sagrado se encontram.
Em uma dança ritual, quando corpo e mente buscam reproduzir um estado de fluidez atemporal e os componentes não importam tanto, sendo apenas um ponto de partida para uma dimensão maior.
Quando o ser humano se presenteia inconscientemente com instantes de conhecimento puro através de "insights naturais" que todos temos ocasionalmente, é compreensível que um ou outro possa querer expandir este vislumbre de um modo consciente.
Uma mulher dança.
Ao ver um ser humano semelhante aos outros se destacar em um cenário múltiplo através de um certo atrevimento... pode ser considerado um atrevimento quando um decide por um momento estar acima dos costumes e fazer deste momento uma oportunidade para dançar de uma forma mais livre e solta? A pura energia, incentivada pelo prazer de movimentos espontâneos toma uma plataforma humana que deveria ser só o ponto inicial de uma amplitude sem limites.
Movimentos luminosos, que uma vez foram uma mulher, gesticulam no espaço e, sem inibições, escolhem alguém para compartir um pouco desta beleza incondicional. Aquele escolhido poderá ver a aparente solidez em uma pedra quando aí habita vibrante energia, ou pode reconhecer a elegante força desta mulher que se eleva a outro patamar por, neste instante, não revelar travas nem bloqueios; inércia e movimento dialogando e gerando uma estabilidade inteligente.
Alguns sobre este vislumbre, criarão uma religião para esta mulher epifânica. Outros não notarão a sua presença.
Outros ainda perceberão que a tal felicidade pode ser uma sabedoria proporcionada por uma mulher que em um determinado momento decide estar além do seu tempo.
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