sábado, 29 de novembro de 2008

Norte do Chile ou Água do deserto.


"Muitas das ansiedades que te perturbam são supérfluas; sendo apenas criações da tua imaginação, podes ver-te livre delas e expandir-te para uma região mais ampla, deixando o pensamento varrer todo o universo, contemplando os ilimitados campos da eternidade, notando a rapidez da mudança em cada coisa criada, e contrastando o breve espaço de tempo entre o nascimento e a dissolução com as infindáveis eternidades que precedem um e o infinito que se segue à outra. "

Marco Aurelio.




Arica.

O ônibus parte de Arequipa em direção ao sul. Passa por Tacna e cruza a fronteira com o Chile.Os trâmites de sempre, carimbos no passaporte e o primeiro destino no Chile é uma pequena cidade chamada Arica.Um pequeno hostel perto da praia local.Roberto vai dormir lembrando do que disse uma amiga inglesa que estava no Point Arequipa:" Cuidado, se sentir que começa um terremoto procure um lugar seguro!"Roberto está tão cansado que apaga na confortável cama. No dia seguinte ele acorda e, meio dormido, comenta com os outros hóspedes."Uau, tive um sonho estranho, é como se estivesse em um terremoto, tudo sacudia..."
Os hóspedes meio espantados respondem de imediato:
"Não foi sonho, ontem tivemos um terremoto de 6.5 na escala Richter!"
Na hora a lembrança da amiga da Inglaterra. As vezes os conselhos meio intuitivos das mulheres podem ser preciosos.
Felizmente o hostel tem uma estrutura resistente a terremotos.


Iquique.


A primeira impressão é que esta é uma cidade de praia como qualquer outra, logo porém se percebe que Iquique está no meio do deserto predominante no norte do Chile.
O racionamento de água é uma realidade, mas não por isso a linda praia ao lado do hostel Backpackers deixe de ser um atrativo.
O hostel é bem simpático com um staff bonito e descontraído.
Ao lado da galesa genial Claire, mais um amigo da Australia e um estado-unidense dá para curtir as ondas, o sol, comer uma pizza e caminhar pelas ruas tranquilas.





sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O rio de Heráclito.






A hora de se despedir pode ser de várias maneiras.
Muitos concordariam que uma despedida alegre. honestamente feliz tem a vantagem de deixar somente o gostinho bom do que fica para trás.
Na verdade não fica a impressão que algo ficou atrás.

Quando o saudosismo de um passado recente ou distante parece uma loucura.

Amigos queridos, só Arequipa, com o seu Misti, e o Point já seriam suficientes para uma viagem inesquecível.

Hora de seguir em frente, sabendo que algo especial muda na vida do jovem Roberto. Depois desse mês ele não é o mesmo,
está melhor e conhece mais a si próprio.
Espera poder compartir um pouco deste conhecimento em forma de sensações com aqueles ao seu redor.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Misti Volcano







Um vento frio carregando um pouco de areia desta montanha em direção a este grupo que se esforça para dar cada passo.
O vulcão Misti mostra porque é tão poderoso.
Neste grupo formado por um brasileiro, um jovem da Irlanda, uma inglesa e um israelense, guiados por um local, as expectativas eram parecidas. Agora tudo muda, a cada passo, este agora com cada vez menos oxigênio revela diferentes ambições.
Na primeira parada está o acampamento, este é o ponto onde se manifestam, de modo meio inesperado, as melhores experiências.
Muitos ficam obcecados em chegar ao cume, não prestam muita atenção neste estágio que provavelmente é o mais espetacular.
A noite mais estrelada que você poderá ver na America do Sul, mais a tranquilidade proporcionada pelo pouco oxigênio, é como se as emoções- serenas- decidissem entrar em sintonia com as outras funções humanas.
Lá no fundo se vê a cidade de Arequipa no escuro. Infinitos pontos de luz tomam uma parte do vasto cenário da natureza local. Não são luzes ofuscantes, só o suficiente para deixar claro que há uma civilização humana alí.
Deste alto não parece tão imponente esta cidade com suas casas, ruas e carros. Do alto do vulcão só podem ser vistos pequenos pontos de luz artificial que se mesclam com as infinitas luzes naturais das estrelas.

Todo este conjunto maravilhoso e nenhum pensamento vem à mente. Somente esta sensação de tranquilidade.
Quando se fecha os olhos a prática diária é realizada de maneira espontânea e é mais poderosa que nunca.
Nestas horas durante a noite no vulcão... se o tempo parecia ir mais devagar aqui ele para.

Após um prazer indescritível é hora de voltar e concentrar no tempo criado mais uma vez pelo homem.
Mas aquela sintonia estabelecida com esta paisagem e com este arquetípico vulcão não será esquecida.



Fotos by Gerald Power

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eyes on the shine.





Um dia ao acordar pela manhã parecendo que o tempo está mais devagar.
O Rítmo Universal permanece inalterado mas as emoções e a constituição biológica pessoal mudam devido a diversos fatores como alimentação, quantidade e qualidade sono, atividade física, etc... O dia passa tranquilo no Point. Como se fosse o período calmo desse trance, o rítmo está calmo e logo estará rápido novamente.
Sempre intenso, mesmo quando sereno.
Aproveitando o pouco movimento o James mostra o quanto está empolgado com suas classes de caiaque, no meio da sala principal ele coloca duas cadeiras de forma que possa estender as pernas, simulando o caiaque. Com os braços ele segura o remo e simula o movimento que faria em um rio agitado.
O Reto prepara um mate legítimo argentino, uma verdadeira relíquia aqui por não ser tão fácil de ser encontrada no Peru. A caneca utilizada não foi uma tradicional, foi uma xícara de chá improvisada, a bombilla sim é legítima, de qualquer forma dá para matar a saudade.
Cada um aproveita para fazer algo diferente. A Ana começa a pintar o muro do hostel, Roberto termina o trabalho.
Tomate limpa a piscina e a Lou mostra o hostel para um visitante. Mais pela tarde os hóspedes já se mostram com fome. Cyntia e Roberto começam a cozinhar. Um jovem inglês chamado Chris entra com sua mochila na sala do Point e nota os cerca de trinta hóspedes se divertindo com o Jenga, logo ele conhece o Roberto, a Bridhe e a impressão que fica um senso de repetição destes recentes acontecimentos.
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Uma nova manhã e o sol ilumina o glorioso vulcão Misti. Este vulcão que permanece se destacando no cenário natural de Arequipa parece exercer um magnetismo sobre as pessoas. Roberto e Gerald da Irlanda decidem ir conhecer o vulcão. Não há muita preparação, somente dois dias de conversa e compras de alimentos energéticos. A partida seria bem cedo pela manhã...



domingo, 16 de novembro de 2008

Bridhe

Quando "o homem deixa de viver o tempo profano e desprovido de sentido, já que imita a um arquétipo divino".
Mircea Eliade

Em alguns momentos, quando o profano e o sagrado se encontram.

Em uma dança ritual, quando corpo e mente buscam reproduzir um estado de fluidez atemporal e os componentes não importam tanto, sendo apenas um ponto de partida para uma dimensão maior.

Quando o ser humano se presenteia inconscientemente com instantes de conhecimento puro através de "insights naturais" que todos temos ocasionalmente, é compreensível que um ou outro possa querer expandir este vislumbre de um modo consciente.

Uma mulher dança.

Ao ver um ser humano semelhante aos outros se destacar em um cenário múltiplo através de um certo atrevimento... pode ser considerado um atrevimento quando um decide por um momento estar acima dos costumes e fazer deste momento uma oportunidade para dançar de uma forma mais livre e solta? A pura energia, incentivada pelo prazer de movimentos espontâneos toma uma plataforma humana que deveria ser só o ponto inicial de uma amplitude sem limites.

Movimentos luminosos, que uma vez foram uma mulher, gesticulam no espaço e, sem inibições, escolhem alguém para compartir um pouco desta beleza incondicional. Aquele escolhido poderá ver a aparente solidez em uma pedra quando aí habita vibrante energia, ou pode reconhecer a elegante força desta mulher que se eleva a outro patamar por, neste instante, não revelar travas nem bloqueios; inércia e movimento dialogando e gerando uma estabilidade inteligente.

Alguns sobre este vislumbre, criarão uma religião para esta mulher epifânica. Outros não notarão a sua presença.

Outros ainda perceberão que a tal felicidade pode ser uma sabedoria proporcionada por uma mulher que em um determinado momento decide estar além do seu tempo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dia das Bruxas








Dias das bruxas.
Um feriado tipicamente estadounidense e mais uma desculpa para uma festa com as mais divertidas fantasias em Arequipa.
Muitas meninas vestem umas asas, umas antenas e um vestido colorido. É para ser fantasia de fada ou de joaninha, não se sabe muito bem.
Muitos piratas e um Jack Sparrow.
Um mariachi e um Che Guevara.
Um cozinheiro louco e um palhaço. Muitos personagens que lotam o hostel Point.
A festa começa no hostel mas o legal é que ela se extende por toda a cidade. Quando vão todos para a rua a surpresa é ver toda a massa lotando cada praça de esquina a esquina.
Primeiro todos do Point vão visitar o Tomate, um local que trabalha pela manhã no hostel. No caso todos vão para o local onde ele trabalha pela noite- o Balde, uma discoteca que chama a atenção pelos grafittis estilosos na parede e pela boa música. A casa está lotada e após algumas horas vão todos para o Déjà Vu como sempre. Claro que a casa mais famosa de Arequipa estaria abarrotada mas não foi um impencílio para os pointianos que encontram um espaço na pista de dança. O DJ parece inspirado com o seu estilo peculiar de tocar 30 minutos de cada estilo musical. E parece que a maioria não se importa com os cortes abruptos de música eletrônica para salsa, desta para o reggae e assim adiante.

O sol já está nascendo e todos voltam para o hostel onde a festa continua. Pouco a pouco vão todos se acalmando e esparramando pelos puffs do TV room... ou decidem que é a hora da piscina.