O fato inegavel é que se pode encontrar alguns paraísos no meio de tanta bagunça. E as pessoas que visitam a cidade percebem logo este detalhe...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Death Road
A famosa Ruta de La Muerte, ou Death Road, a estrada mais perigosa do mundo.
Depois de averiguar um pouco fica claro que o perigo não é tanto assim. Algumas estradas da Bolívia percorridas de onibus são bem mais assustadoras.
De qualquer forma essa é uma aventura famosa, descer a famosa estrada entre La Paz e Coroico numa descida de 3.300 metros numa mountain bike.
A Alex e a Audrey vão direto para Copacabana, Bolívia encontrar com a outra Alexandra. A Moma seguiu definitivamente por outro caminho. As quatro francesas são agora três.
Por outro lado este Robert se prepara para a jornada.
O sol que recém saiu no horizonte não tem muita força e o frio predomina. Uma jaqueta especial é dada para cada um, junto com um capacete e luvas.
Todos estão animados e após algumas poucas instruções do guia ( do tipo "nunca me ultrapassem") todos se colocam na posição de largada.
Para criar um clima ainda mais cinematográfico uma forte neblina cobre a entrada para esta nova parte da rota.
Ao final da viagem após algumas horas os músculos do corpo podem estar exaustos após os momentos mais tensos.
De volta a La Paz
A vitalidade correndo livre pelo corpo. O cultivo de boas emoções, de modo natural e espontâneo.
Quem se aproxima desta atmosfera não permanece inalterado. No mínimo a curiosidade é despertada.
E quando aqueles nesta mesma sintonia se encontram o que se produz é algo notável.
De volta em La Paz faíscas são criadas.
Quem entende o processo de produzir faíscas consegue criar o fogo?
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
La Gruta de San Pedro
Roberto, Alex e Audrey decidem ir visitá-la.
É um caminho mais ou menos longo, o mais recomendável é tomar carona com algum carro ou caminhão que passa pelo caminho.
Mas ao deslumbrar as montanhas incríveis ao redor fica claro que a melhor forma é mesmo a velha caminhada.
A Alex traz o seu MP3 player. Ela apresenta a sua música oferecendo ao Roberto algumas canções que acompanhariam o jovem por toda a viagem.
Serge Gainsbourgh, Nouvelle Vague, Noir Desir, Lebanese Underground são alguns dos compositores/ grupos cujas melodias iluminam a terra e o céu de Sorata.
Na entrada da caverna há uma bilheteria. Dá para ver que mesmo aqui onde não passa muita gente alguém já pensou na forma de ganhar um dinheiro extra.
Antes de entrar, enquanto todos aproveitam a linda selva do alto de uma pedra, resolve aparecer Albert, el Perro. Um cão de raça sem dono (isso é muito comum na Bolivia e no Peru) que vem se aproximando com olhos de "pidão".
As meninas se compadecem. Albert ganha alguns biscoitos de água e sal ( Pobre! Mas a julgar parece que ele comeria até pedras se lhe fossem dadas).
A entrada da caverna, um pouco estreita, logo revela um interior largo e amplo. Há umidade e eco.
Logo no início há um lago. Um senhor cobra pelo uso do barco pedalinho ( mais uma cobrança, esse passeio já está ficando caro). Após alguma hesitação se paga pelo transporte que levaria os 3 turistas ao outro lado da lagoa e da caverna.
Alex toma a dianteira e se mostra uma excelente condutora de pedalinhos.
O lago parece limpo mas como está escuro não se vê muito...
Ao chegar na outra margem o trajeto é novamente a pé. Pouco a pouco a caverna vai se revelando estreita e claustrofóbica lembrando as minas de Potosí.
Do lado de fora o ar puro e frio traz imediata renovação para aqueles que deixam a caverna.
E Albert, o cão sem dono já havia partido...
LLamas!
Perto da hospedagem em Sorata a Audrey encontrou alguns destes animais
peculiares.
Não são cavalos, não são ovelhas, são llamas!
A partir do seu pelo se produzem todos os tipos de casacos, gorros,
meias, luvas... pantufas.
Após ser convencida que era seguro a Audrey resolve se aproximar e
estabelecer contato com uma llama que já era uma senhora de idade.
A Audrey se aproxima com medo; não de um coice ou uma mordida, mas do
temível e famoso "cuspe da llama"!
Após a tentativa frustrada de aproximação fica claro que a dona llama
não quer saber de brincadeira.
Nem aceita a fruta que lhe é ofertada de presente...
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Sorata
Quando se possui contentamento.
Quando não se vai contra os processos da vida.
A perfeição é uma escolha.
Em Sorata novamente entre amigos.
Ao amanhecer um passeio no Rio, nesta pequena cidade no meio da selva.
Na companhia da Alex Meunier um nascer do sol, sob montanhas com neve no cume.
A água gelada é sentida plenamente pelo tato de pés descalços.
O tempo muda.
Torna-se infinito.
Dois sorrisos serenos e não há mais necessidade de sentido.
As cebolas douram e logo se juntam ás lentilhas. Os vegetais tem o seu cheiro mesclado com o próprio olor do cominho e da nós moscada utilizados no seu preparo.
Ao degustar o prato sob a vista inesquecível das montanhas ao redor...
o que poderia ser diferente?
A ducha fria já não incomoda.
Quando olhos verdes te miram e te dizem tudo sobre tu mesmo.
Quando a realidade é mais que uma emoção.
Se pode aproveitar ao máximo esta emoção,
e quando esta emoção mudar ( inevitavelmente),
a realidade permanece a mesma.
Momentos de poder!
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Wilson, el mono.
Saltos altos e precisos, Wilson, como se chama o primata, pula e corre quando algo desperta o seu interesse. No caso a novidade é a chegada de alguns novos turistas 'a hospedagem.
Um brasileiro e 3 francesas (as duas Alexandras e a Audrey... a Moma foi para outro lugar sozinha).
Todos chegam e encontram a Charo a Gui e o Fran, os amigos argentinos que já estavam na hospedagem.
O ar fresco de Sorata é revigorante, uma sensação tranquila ao chegar nesta cidade perto de La Paz, bem no meio da selva.
Wilson, O mico, observa tudo e prepara uma travessura.
Quando se esquenta a água para o mate Rosamonte legítimo o pequeno peludo salta e rouba a bombilla- o canudo de metal pelo qual se toma o mate.
Todos vão atrás do pequeno larápio, mas Wilson conhece bem o terreno e salta entre mesas, galhos e pit bulls que dormem impertubáveis.
No fim ele se cansa. Junta-se ao grupo devolvendo o o artefato.
Todos aproveitam esse momento em que nuvens nadam entre as montanhas formando um por do sol singular.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
O retorno e avante.
"Sleeping is giving in, no matter what the time is. Sleeping is giving in, so lift those heavy eyelids.
De volta a La Paz com uma nova energia de Chacaltana.
Há um padrão de como as coisas vão acontecendo e ele pode ser percebido mais claramente.
Grupos de seres humanos na sua maioria jovens.
Uma inegável sensação de que as coisas estão sendo feitas como deveriam.
Aqui o que se percebe é a presença e a influencia de um sentimento específico. Não importa o agente da emoção, não importa quem iniciou a contagiante onda.
O que importa é que o aglutinador deste grupo é uma eufórica sensação de simplicidade.
Através de música e de jantares geniais estes jovens já não são tão diferentes uns dos outros. Todos se comunicam através de um palpável plano emocional.
E ao comer um rotineiro chocolate na Plazza Murillo com a Charo e o Peter parece ficar mais claro qual foi a novidade inspirada pelos olhos da Alex.
Uma perfeição que parece se revelar mais cultivável do que nunca. Nada da perfeição socrática, ideal, impossível neste mundo.
Momentos perfeitos. Perfeitos porque assim se querem.
Batidas de tambor. O rítmo desperta um sorriso e algo além de um sorriso.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Chacaltana
Quando tudo está calmo uma novidade.
Quatro francesas que aparecem e chamam a atenção. Na verdade elas estavam no mesmo hostel em Potosí em que o jovem Roberto se hospedava mas naquela ocasião tinham todos amigos diferentes. Em La Paz, neste alojamiento com pessoas tão distintas, elas não passam despercebidas.
Duas Alexandras, a Audrey e a Moma.
A Audrey faz rir desde o início com suas francesices. A Moma parece estar um pouco deslocada do grupo. Das Alexandras uma é loira e fala pouco inglês ou espanhol, a comunicação era basicamente por mímicas. A outra era a Alex Meunier e desde o início fica claro que o contato com ela resultaria em algo especial. E logo aparece a oportunidade para uma aproximação, quando as francesas decidem ir até a montanha Chacaltana perto de La Paz.
Desde o início fica claro que toda sutileza seria necessária.
O grupo de cinco mais o motorista contratado parte para o seu objetivo. O cenário muda pouco a pouco, a urbes descontrolada de La Paz cede lugar a uma estrada arenosa com montanhas em tons de marrom.
A amplitude do horizonte é o que prevalece quanto mais se avança. Alguns trechos exigem perícia do motorista mas ele parece estar acostumado com as partes estreitas da estrada e com os precipícios de algumas centenas de metros.
Antes do cume há uma cabana, um ponto ideal para tomar um café ou um chá quente.
Os olhos verdes da Alex Meunier chamam a atenção, não só pela beleza mas pela intensidade.
Neste momento em que uma comunicação não verbal é tão apreciada é no mínimo fascinante ver uma pessoa que fala tanto com o olhar.
Ao redor uma vastidão quase infinita. Cores e formas parecem se fundir. O céu azul com algumas nuvens, o verde- marrom do altiplano ao redor e agora o novo branco da neve que se mostra cada vez mais presente conforme se avança.
Aqui já são mais de cinco mil metros. Não é só cautela que se mostra necessária, cada passo deve ser lento, sempre com respeito a esta nova altitude.
Cada um ao seu tempo chega ao cume...
A vista é incrível, há uma sensação de vitoria e de serenidade compartilhada por todos.
A Alex Meunier está sentada em uma pedra e fecha os olhos para melhor aproveitar o ar puro (mesmo com menos oxigenio) e sentir o vento frio em seu rosto.
Logo todos se juntam para, entre risadas, tirar fotos e fazer videos. Algo novo está acontecendo, algo novo.
O contato e a aproximação com estas francesas, especialmente com uma delas, traz um novo tipo de inspiração.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Ta Panta RI
Uma boa pedida é derramar a Llajua sobre os vegetais que são oferecidos inicialmente e depois despejar a combinação sobre a sopa que vem em seguida. Quando chegar o prato principal você certamente estará satisfeito.
Muitos passavam por ali e quando não cozinhávamos este era o local para o almoço.
A ΣΟΦΙΑ da Grécia aproveita um momento após uma farta refeição para nos divertir com um jogo que deveríamos descobrir como era a palavra grega relativa 'a palavra em espanhol como por exemplo:
Em algum momento a ΣΟΦΙΑ menciona uma expressão a la Heráclito- Ta Panta RI -Todo Cambia- Tudo muda.
Um silencio suave em La Paz. Como sobremesa um chocolate na Plaza Murillo onde crianças jogam milhos para infinitos pombos.
Em algum lugar do mundo alguém escuta " Go with the Flow." do Queens of Stone Age...
Após tantos estímulos olfativos, sonoros e visuais na praça ao lado da igreja San Francisco um caminhante irá reparar inevitavelmente que jovens vestidos de zebras tentam organizar a bagunça que é o transito neste centro de cidade.
No início da avenida principal uma passarela está sendo construída, por enquanto os pedestres atravessam como podem para chegar no mercado da praça. Netse ponto se misturam caminhantes apressados entre várias barraquinhas que vendem produtos industrializados como sabonetes, pastas de dente, shampoos e coisas do tipo.
No meio do tumulto algumas pessoas se amontoam para escutar um homem local que claramente possui um talento oratório. Os discursos, na maioria políticos prendem a atenção de todos.
Um pouco longe dali, no alojamiento El Carretero o clima é mais ameno. Uma jovem universitária da Grécia chamada ΣΟΦΙΑ ΠΑΠΑΔΟΠΟΥΛΟΥ observa os artesanos meio hippies que estao hospedados no mesmo alojamiento que ela. A jovem observa os colares, pulseiras e similares sendo produzidos com cuidado, algumas destas artesanias revelam formas bem complexas, talvez influenciadas pela própria Bolívia.
No por do sol todos se reúnem em um mirador para ver a cidade de um ponto privilegiado. Montanhas rodeiam casa e edifícios... em uma altura que não passa despercebida pelo organismo humano.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Todos satisfeitos.
Uma hora depois de uma refeição, uma fruta.
Uma maçã verde, ou uma mandarina.
As frutas, doces e deliciosas fazem parte da rotina.
Tornam tudo mais prazeroso.
Proporcionam a proximidade à uma perfeição, que era lapidada antes, agora, e será melhor explorada depois...
Uma menina em outra ocasião carinhosa aproveitou a intimidade para disparar:
"Isto tudo não é real, você não é real!"
Em parte ela estava certa, mas como resposta ela teve uma mirada profunda. Palavras aqui seriam desnecessárias, ficaram entre um pensamento:
"Se é assim melhor aproveitar!"
Neste terraço em plana cidade de La Paz quantas estrelas podiam ser vistas.
E ao inventar novos jogos cada um relembrava as pessoas que passaram por suas vidas.
Sem muita nostalgia do que passou, mais com alegria do que a lembrança proporciona.
Quantas pessoas já cruzaram o caminho, gente de todos os continentes, com todo o tipo de história.
O dia amanhece a Martina segue viagem. Vai direto para Cusco.
Em La Paz é só mais um dia normal.
Por aqui não se nota a presença de redes de fast-food, shopping centers ou coisas desse tipo. Só um ou outro estabelecimento deste tipo espalhados pela cidade. O melhor aqui é se aventurar na bagunça, ir a um mercado ( no caso aqui o Mercado Central) e tentar descobrir alguma especiaria desconhecida.
Depois de comprar vários legumes, um pouco de arroz, e algumas pimentas exóticas chega a hora de voltar ao hostel e encontrar os loucos famintos que se tornam todos sorrisos quando alguém diz que vai cozinhar.
sábado, 29 de setembro de 2007
No caminho uma quadra antes do hostel uma cholita vende frutas.
Bananas e mandarinas são as escolhidas.
Os funcionários dizem Hola Brasil com um grande sorriso sorriso ao vê-lo entrar (brasileiros junto com os irlandeses têm fama de serem os mais amigáveis do mundo) este brasileiro sorri de volta para o staff ao mesmo que joga uma mandaina para um francês artesão que tocava um tambor.
Uma felicidade sem palavras é compartida pelos dois ao constarem que a fruta está super doce e saborosa.
Aos dois juntam-se a Martina e a Charo.
Um mate con galleta numa tarde qualquer em La Paz. Um canadense de bandana agarra o violão.
Andreas da Noruega chega com sua barba peculiar acompanha a melodia com a cabeça...
No meio de uma cidade bagunçada como La Paz, no centro de um hostel não muito organizado, um cenário cosmopolita.
Onde todos decidem aproveitar o movimento.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Depois de ter me conscientizado da menor quantidade de oxigênio nos pulmões,
uma partida de futebol com os bolivianos.
Dá para jogar mas a sensação é diferente.
Com menos oxigênio há menos energia para correr,
Ao mesmo tempo fica claro porque por aqui as coisas,
vão mais devagar...
... mais calmas.
domingo, 23 de setembro de 2007
Algumas pessoas se relacionam bem com os locais.
Outras reclamam que elas são antipáticas ou hostis.
Cada vez mais me está claro que estas impressões são um espelho de como nós mesmos agimos com os outros.
Que boa sensação a de entrar em contato com alguém desconfiado, fechado.
E em poucos minutos ganhar a confiança dessa pessoa
conquistar uma amizade...
Todas as outras coisas nada fazem
ou destroem
Um sorriso aproxima.
Ilumina o medo e o receio.
Um sorriso é a resposta
para palavras que persistem.
Um sorriso abre portas.
E proporciona de forma única
identificação.
Um brilho inconfundível
daquele honesto sorriso
teve como inevitável retribuição
um mundo inteiro sorrindo de volta
com alegria e descontração.
O poder da união
começa com um sorriso.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Chegada em la Paz
O hostel indicado por amigos argentinos em Potosí se chamava El Carretero.
Era um alojamento simples (bem simples), com as paredes dos quartos rabiscadas com as idéias e desenhos mais loucos dos viajantes mais pirados que passaram por aquele lugar.
Apesar das limitações era um hostel bem conhecido e barato. Eu e a Martina estávamos empolgados e o fato da ducha ser fria em um lugar que fazia uns 5 graus não cortou a nossa animação.
La Paz é o lugar para fazer tudo o que se tem que fazer numa cidade grande. Há mais restaurantes, lugares para comprar casacos de LLama, luvas, um cachecol... tudo a preços irrisórios.
Primeiro era hora de descansar um pouco. Fomos ver o terraço do hostel tomando um mate quentinho e- que sorte!- havia uma vista linda com um céu aberto e estrelado. Dava para ver boa parte da cidade lá de cima... só por isso já valeu a pena o dinheiro pago ali.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Eu e a Maritina da Alemanha compramos nossa passagem rumo a La Paz.
Muitos dos nossos conhecidos foram para o Salar de Uyuni. Eu decidi que não era o momento ideal para ir e que iria desde San Pedro de Atacama no Chile.
...
Depois de um tempo viajando se começa a ver um padrão. As pessoas estão mais solícitas, estão mais abertas.
É impressionante a facilidade de juntar grupos com uma energia alegre e espontânea numa situação assim. Quero levar comigo o máximo dessa energia, sinto como se pudesse enxergar de maneira mais clara o fluxo e os padrões da vida.
Será que isso tem que se perder na rotina do dia a dia no lugar escolhido para me estabelecer?
No creo...
;-)
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
O olho do Inca.
A Charo da Argentina, o Robert da Irlanda, o Peter da Nova Zelandia, e o Roberto do Brasil. Uma galera buena onda curtindo bons momentos em um lugar único.
A arte de cultivar tempos de felicidade!
...
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
As minas de Potosí
As minas de Potosí são a principal fonte econômica da cidade.
A vida dos trabalhadores é dura e a expectativa de vida dos que trabalham na extração de metais é de pouco mais de 35 anos.
Há um tour para conhecer as minas e havia um certo receio que este tour tivesse um tom exploratório, porém logo pude ver que na verdade os trabalhadores se alegram com a presença dos turistas.
Não bastava a altitude, o ar dentro das cavernas era consideravelmente menor, e cheio de poeira...
Os caminhos eram estreitos o que não fazia do tour um caminho recomendado para claustrofóbicos.
Em um momento o guia falou para todos apagarem as luzes para podermos ver como era a situação dos trabalhadores quando a luz do capacete quebrava... realmente precisavam de calma para lidar com uma situação dessas.
No caminho encontramos um trabalhador que sorriu quando nos encontrou, ele me mostrou como se fazia um buraco na rocha dura com uma picareta e eu pude constar como era difícil esculpir pequenos buracos onde entrariam as dinamites ( durante o tour escutávamos de vez em quando o estrondo de alguma dessas bombas sendo detonadas em algum ponto mais distante da gruta).
Talvez o que mais me chamou a atenção nas minas foi a figura que "abençoava" os trabalhadores. Era uma figura parecida com um diabo chamada de "Tio". O mais peculiar aqui é que muitos eram cristãos pelo dia e veneravam o Tio pela noite, tudo muito normal por aqui...
Depois de trocar algumas palavras alegres com os trabalhadores eu saí exausto das minas. O guia me deixou explodir uma dinamite e eu pude ver que era um pouco mais forte que bombinha de São João.
Estava no meio da tarde e alguém sugeriu um ótimo local para relaxar o corpo depois das minas:
"El Ojo del Inca"...
Foram poucas horas naquele local peculiar, mas foi impressionante. Quando vemos pessoas que literalmente passam a maior parte do tempo neste ambiente, onde o escuro é onipresente, passamos a valorizar mais a luz no final do túnel...
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Quantas pessoas, quantas vidas distintas.
Numa viagem com pessoas tão diferentes o que se nota é algo universal.
Muitas pessoas buscando um sentido, ou simplesmente tentando viver intensamente.
Neste cenário estar feliz e não buscar nada é um privilégio e é privilegiado assim que eu me sinto.
Fui ao mercado central de Potosí para me aventurar nas tantas variedades de legumes, verduras e temperos... tantas cores que eu me senti inspirado para cozinhar para o pessoal do hostel.
E que momento divertido! Foi uma refeição simples: Arroz acompanhado de cenouras, batatas e abóboras. Não sei se foram as especiarias que eu trazia comigo. Talvez tenha sido a pimenta boliviana que deu um toque especial!
Fiz o suficiente para umas quinze pessoas e a esta altura já éramos um grupo internacional bem integrado. Ver a reação de felicidade deles com o jantar foi sem dúvida recompensador.
No dia seguinte o sol brilhava forte e o clima estava agradável. Uma festa na rua para variar. Aqui parecia que haviam festas e blocos de rua todos os dias com muitas cores e música.
Aqui a altitude e o frio se mostraram mais intensos. Na primeira ladeira que tive que subir já senti um cansaço forte. No Rio eu estava em boa forma mas aqui eu tive que reaprender a administrar o oxigênio e a respirar de uma forma compatível com o clima rarefeito.
Os exercícios respiratórios ajudaram bastante e pouco a pouco eu fui me acostumando.
As minas de metais são a maior fonte econômica da cidade. Trabalhar em um local fechado e empoeirado em um local alto como Potosí me parecia uma loucura mas a maioria das pessoas já havia trabalhado nelas ao menos uma vez na vida, e aqueles que ainda trabalham tem a expectativa de vida de uns 35 anos...
Cheguei neste Hostel, La Casona, e me senti a vontade.
Estava tarde mas lá estava esta menina do Quênia que morava em Londres e passeava pela Bolívia. Mesmo muito cansado me diverti com as historias que ela me contou durante algumas horas.
Finalmente me rendi a um sono agradável sob três mantas.
sábado, 18 de agosto de 2007
Imastyki = ¿Que te llamas?
Sucre foi uma ótima surpresa. O caminho de Santa Cruz até aqui já foi bem promissor com um
Engraçado como apesar de estar viajando por conta própria eu nunca estive de fato sozinho em nenhum momento. O legal é que quando você vê uma pessoa de fora caminhando por aí você geralmente pode chegar e falar com esta pessoa como se ela fosse conhecida sua de toda a vida.
Assim, eu tomei café da manhã com um pessoal da Holanda e Austrália, almocei com uma menina da Alemanha que conheci na praça e encontrei novos viajantes pela noite...
Aqui em Sucre, após alguns sufocos iniciais na fronteira com o Brasil e em Santa Cruz eu finalmente me sentia na Boliva.
A arquitetura colonial, o povo hospitaleiro... gostei de tudo nesta cidade.
Me disseram que Sucre era bonitinha mas não valia a pena ficar muito tempo, realmente a cidade é pequena mas vale uma estadia de dois dias.
Vim dormindo no ônibus e deixei as malas na rodoviária já que pela noite eu iria para Potosí.
Em algumas horas conheci bem o centro da cidade e fui caminhando até o Mirador pela calle San Alberto.
Foram os melhores momentos da viagem até então. Nada de realmente excepcional mas fiquei lá em cima com uma vista privilegiada da cidade enquanto olhava os jovens jogando bola na praça. Eu sentia um pouquinho os efeitos da altitude e fazia exercícios respiratórios para compensar.
Algumas jovenzinhas que estudavam me olhavam com curiosidade, com alguma
As chôlas também estavam por toda parte com os tecidos coloridos envolvendo o corpo, com a expressão distante e algumas com um bebê nas costas.
Foram horas muito agradáveis com um friozinho que não chegava a incomodar mas logo chegou o final da tarde e era hora de ir para Potosí.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
De Cáceres peguei o ônibus que partia cinco da manhã. Ainda bem que acordei sozinho 4:40 porque eu havia pedido para o vigia me acordar 4:30 e ele simplesmente se esqueceu.
Agora sim eu iria finalmente estar na Bolívia, o primeiro destino internacional.
Cheguei cedo ainda em San Mathias. As primeiras bandeiras foram avistadas enquanto eu era encaminhado a uma casa do exército onde eles carimbaram meu passaporte.
Foi um dia pouco comum, era feriado nacional na Bolívia. Eu ainda estava sonolento quando vi uma tropa grande do exército desfilando nas ruas de terra da cidade. Fiquei algumas horas ali, vendo as crianças bolivianas de uma escola local brincarem até chegar o ônibus para Santa Cruz.
...
Até então só tinha travado contato com brasileiros, mesmo em San Mathias. Depois de percorrer a estrada em um percurso mais longo ao som de pagodinho brasileiro de quinta categoria cheguei em Santa Cruz e conheci alguns bolivianos na rodoviária.
A cidade à primeira vista era bem mais urbana-caótica. Fui para um alojamento no centro da cidade mas não me sentia seguro de deixar a mochila nem mesmo no meu quarto.
Comprei uma passagem para Sucre e ao embarcar conheci três brasileiros, Dois de BH e uma de Sampa. Conversamos um pouco no caminho mas eles seguiram viagem com destino a Potosí. Eu iria parar em Sucre antes.
Levei um caderno para fazer anotações mas ele ficou na mochila. Me acostumei a escrever em folhas de guardanapo...
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Centro Oeste e fronteira.
Estava bem protegido com o cachecol que uma amiga querida me deu de presente e nem senti falta do casaco.
Fui para uma pousadinha simples chamada Eco do Pantanal. Havia na rodoviária um representante de lá que nem cobrou pelo transfer.
Tive que dormir em Cáceres uma noite já que o ônibus só sairia às 5 da manha do dia seguinte.
Depois de passar por uma cidade cara como São Paulo aqui eu sentia que fazia uma economia significante. Claro que eu não poderia esperar muito luxo, uma simples cama já seria mais que suficiente.
Aqui tive que usar algum español pela primeira vez .
Quando fui tomar banho percebi que da altura do peito para cima a parede do banheiro era vazada e quem estava do lado de fora poderia ver quem se banhava.
Já estava me preparando para a ducha ( fria como única opção) quando ouço uma voz de meninha.
" ¿Tienes Papel?"
Percebi que era uma menina Boliviana de uns 7 anos, após a surpresa inicial respondi com um "No".
Ela não pareceu se dar por satisfeita pois continuou perguntando:
" ¿Y como te va a limpiar?
Eu sorri e respondi:
"Solo me voy a bañar."
Agora sim ela pareceu entender. Sorriu de volta e foi embora.
….
Após o banho o momento parecia ideal para a minha prática diária. Não sei exatamente o porquê mas foi a melhor prática individual das últimas semanas.
Era dia de dormir cedo, 4:30 da manha eu teria que acordar.
Urbes
Escolhi dar uma parada nesta grande metrópole para evitar uma viagem de mais de 24 horas até a fronteira com a Bolívia.
Ao chegar na rodoviária do Tiete lembrei pelo preço do café da manhã que as coisas eram mais caras por aqui, pelo menos em relação às outras cidades do meu itinerário. Tive vontade de não ficar nem uma noite em Sampa, mas ao pensar melhor vi que seria melhor descansar uma noite já que não havia dormido no ônibus no trecho Rio-Sp.
Liguei para um dos meus contatos em Sampa, o grande Rodrigo Machado. Mesmo todo cheio de trabalho ele se comprometeu a me buscar próximo ao MASP na Av. Paulista.
Ao saltar da estação do Metrô senti algo como um bafo de fumaça no ar. Parecia piada, um clichê de cidade grande com uma grande núvem cinzenta rodeando a cidade. Logo percebi que foi uma sensação passageira (ou os meus sentidos se adaptaram ao novo cenário). Minha atenção voltou-se ao visual imponente ao redor, com todos os mega-edifícios e com toda a vibração pró-labore do local.
Sou do Rio de Janeiro mas posso dizer sem hesitar que adoro São Paulo. É sempre um prazer enorme visitar a cidade.
Tiësto e Armin Van Bureen providenciam a trilha sonora que parece combinar perfeitamente com o que vejo aqui.
Na mochila uma edição bilíngue de um Neruda espera para ser devorado.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Em algum lugar suas memórias desvaneciam.
O que sobrava era o este atual.
Seu poder havia sido ampliado
Mas ainda estava longe do seu potencial máximo
- o infinito.
E ao olhar para o caminho à sua frente
As paisagens se confundiam
As vezes planícies sem fim
Eram montanhas e cordilheiras
da mais alta estatura.
As vezes lagos calmos e serenos
eram cachoeiras impetuosas.
Sempre era momento de plantar
Aquilo que realmente importava cultivar
Um sorriso ao rosto de sincera espontaneidade
de ser pego de surpresa por uma brisa fria
brincalhona brisa...
O sol nutre de energia
A maça que será apreciada com deleite.
E esta felicidade será compartilhada
Invariavelmente
Entre pequenas casinhas de um vilarejo
E quando um amante supera o amor
Pelos olhos da sua amada
Tudo o que resta é compartilhar a escolha conquistada.
Neste momento o faz com a oferta da saborosa maçã
Neste pequeno vilarejo
Próximo ao vulcão
Ou nas grandes metrópoles
Que estão no seu caminho.
------ ------- -------
Ao se relacionar
Com velhos, crianças e adultos
com o olhar de profunda inspiração
Dela
Se faz necessário não baixar
Afinal não estava acima de nada ou de ninguém
Porém ao mirar a formiga
Não deixa de ver ao mesmo tempo a mais longínqua estrela.
Quando um sorriso despretensioso
Esconde dos outros um poder.
domingo, 15 de julho de 2007
Ithaca
Traduzido do grego para o inglês...
When you set out on your journey to Ithaca,
pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.
The Lastrygonians and the Cyclops,
the angry Poseidon -- do not fear them:
You will never find such as these on your path,
if your thoughts remain lofty,
if a fine emotion
touches your spirit and your body.
The Lastrygonians and the Cyclops,
the fierce Poseidon you will never encounter,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not set them up before you.
Pray that the road is long.
That the summer mornings are many, when,
with such pleasure, with such joy
you will enter ports seen for the first time;
stop at Phoenician markets,
and purchase fine merchandise,
mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
and sensual perfumes of all kinds,
as many sensual perfumes as you can;
visit many Egyptian cities,
to learn and learn from those who know
Always keep Ithaca in your mind.
To arrive there is your ultimate goal.
But do not hurry the voyage at all.
It is better to let it last for many years;
and to anchor at the island when you are old,
rich with all you have gained on the way,
not expecting that Ithaca will offer you riches.
Ithaca has given you the beautiful voyage.
Without her you would have never set out on the road.
She has nothing more to give you.
And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
Wise as you have become, with so much experience,
you must already have understood what Ithacas mean.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Preparação.

Foto por Raphael Studer
Não se espera uma aventura, apesar do prazer em cada novo passo.
Não é uma procura por reclusão, esta pode ser encontrada qualquer dia, em qualquer lugar.
Tampouco se deseja a introversão... pelos mesmos motivos.
Mas se pode desenvolver o carinho, então aí está algo a ser feito.
Se posso desenvolver a ternura, então eu devo.
Com os diversos tipos que conhecer.
Rostos, emoções, razões, árvores e pedras.
Não é uma busca por um caminho.
Afinal eu já tenho o meu.
É como uma chance única.
De firmar o que já se sabe.
De se pôr a prova ao múltiplo.
De cada vez entender a si próprio, mesmo quando o tempo ao meu redor mudar.
E estabelecer contato com aqueles,
de semelhante sintonia.
Só uma passagem para o que me aguarda no final da jornada.
Onde eu monto acampamento.
Por tempo indeterminado.
Ali de fato tudo começa.