segunda-feira, 16 de junho de 2008

La ruta secreta




Um dia inteiro passa, um dia com núvens que nublam a antiga montanha de Machu Picchu.
Ao final da tarde um jovem expectador observa as ruínas lá no alto.
O jovem vê como as núvens que cobrem Machu Picchu vão pouco a pouco se afastando e ele começa a montar um plano mental de como chegar até lá.
O sol se ergue com mais força que o habitual e esta imagem é interpretada como um sinal, ou simplesmente serve como pura inspiração. Não importa, o jovem parte para a cidadela de pedra.


Muitas facilidades no inicio com trilhas fáceis, abertas. Pois esta impressão não se mantém por muito tempo, já estando no alto da montanha o que vê é um trecho de mata selvagem pela frente. O jovem não titubeia e entra nesta trilha pouco amistosa.
As ruínas de Machu Picchu estão bem próximas e neste momento os mosquitos e insetos atacam fortes qualquer invasor que entre nesta mata desavisado. As mãos ajudam a tirar os galhos do caminho mas é inevitável que eles ofereçam resistência. Por enquanto é só uma trilha reta, no meio de grama, árvores e bichos.

As ruínas estão mais ao alto e a trilha está no seu fim, o único caminho é diretamente para o alto, em direção da cidade esquecida que parece cada vez mais convidar o jovem desbravador. É preciso escalar a parede de pedra, terra e plantas.

O jovem não vê mais nuvens, não vê mais mato, não vê mais nada, tudo o que sente é o sangue quente e a concentração total no ato da escalada. São mais de oito metros e não importa se nesta altura os buracos que servem de apoio são casas de cobra ou algo assim; uma queda seria desastrosa e qualquer coisa que sirva para agarrar e seguir subindo serve.
Mas não há a imagem mental da queda, só existe aquele momento. Mãos, cabeça, dedos, pedras e terras, tudo se torna um prazer quase inesperado para este momento. O jovem chega ao topo e olha ao redor com cuidado. O que se vê em frente são vestígios de núvens, e cobertos pelas mantas de névoas jazem enormes blocos de pedra, revestidos de musgo verde-bege.

Os blocos vão em sentido ascendente e não se vê o que está no topo deste que parece ser um antigo e esquecido caminho inca.

O jovem é pequeno neste cenário majestoso que vai se revelando a cada passo lento. O clima já está frio neste final de tarde, o sol está próximo de deixar o céu.

Cada bloco de pedra é como um degráu de uma antiga e gigante escada... cada passo é dado com cautela. O que seria tudo isso?
Ao chegar no último bloco a grande cidade se revela ante seus olhos maravilhados. Uma profunda inspiração como se aquela visão roubasse o seu ar. São casas de pedras muito bem conservadas no alto desta montanha. A superfície é irregular mas dá para ver claramente como esta cidade, era em seus tempos de gloria.
A emoção ainda é grande, as pedras lisas e quadradas que formam as casas podem ser observadas.
Não há mais ninguém ao redor, o eco é companheiro.
Alguns passos até a outra beirada da cidade e o melhor visual de todos: o paradisíaco vale ao redor. Dá para ver os rios, as planícies e os morros lá embaixo. Em frente montanhas verdes mais baixas sob um céu azul com algumas núvens.
Dá vontade de gritar com eco! Mas o jovem fecha os olhos e aproveita aquele momento único.

Todas as casas feitas com blocos pequenos ou médios de granito distribuídas em zonas específicas. Uma área que servia para o cultivo e outra urbana.
Dentre as construções algumas pedras tem uma importância maior. A pedra Intihuatana não revela de cara a sua função, ao que parece há uma ligação entre a pedra, o formato das montanhas e o movimento astronômico. O Templo del sol e as terraças de plantações.
Os tons de cinza das pedras e o verde da grama curta em toda a cidade.

Imagens inesquecíveis.

A sensação de que não há mais tempo termina quando o sol toca o horizonte. O jovem abre os olhos e percebe que tem que correr.
Se o caminho até ali foi desafiante imagine o mesmo caminho de volta, no escuro!
Ele começa a correr de volta, literalmente se jogando ao saltar os gigantes blocos de pedra que serviam de entrada. O trecho da escalada é feito rápido, deslizando pela parede, tentando se agarrar em alguma raíz sem muito sucesso. A queda não é muito forte, ele continua correndo entre a trilha fechada inicial. Os cortes não incomodam, já está quase totalmente escuro. Agora com pouca luz os galhos e insetos duplicam o gráu de incomodo. Não importa, há pouco tempo e agora ele corre dentro desta vegetação pouco amistosa; só cobre os olhos tentando evitar que eles se cortem e não parar de correr.

Já não há mais luz do sol e a trilha aberta finalmente é encontrada, agora é fácil, dá para ir de olhos fechados.
Mas os olhos vão abertos, as pupilas se ajustam 'a pouca luz.
Nesta trilha, entre árvores, cigarras e outros bichos, o que se escuta é um jovem descendo, caminhando agora devagar, rindo extasiado como se não acreditasse no que havia experienciado.


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