segunda-feira, 30 de junho de 2008

No alto da montanha parte1







Quando tantas palavras são proferidas.
Idéias que são criadas e não aproveitadas.
Um outro momento na cidadela de pedra.
Lilou, Beata, Charo, Mario e a Carolina.

Uma centena de fotógrafos japoneses
Guias com definições sobre as ruínas
Definições divertidamente contraditórias.

Um playground sem palavras
A conexão com as meninas, com o ambiente e consigo próprio.

A aparição inesperada da Alex e das outras francesas.
A grama está mais verde.
A Llama sorri da Beata
Um playground sem palavras.

Nas veias e artérias destes seres
circula energia brilhante e palpável
Quando acabar em um segundo o devaneio que é esta viagem.
Muito a ser construido


Tanto que a cidadela de pedra será comparada
a um playground de crianças

segunda-feira, 16 de junho de 2008

La ruta secreta




Um dia inteiro passa, um dia com núvens que nublam a antiga montanha de Machu Picchu.
Ao final da tarde um jovem expectador observa as ruínas lá no alto.
O jovem vê como as núvens que cobrem Machu Picchu vão pouco a pouco se afastando e ele começa a montar um plano mental de como chegar até lá.
O sol se ergue com mais força que o habitual e esta imagem é interpretada como um sinal, ou simplesmente serve como pura inspiração. Não importa, o jovem parte para a cidadela de pedra.


Muitas facilidades no inicio com trilhas fáceis, abertas. Pois esta impressão não se mantém por muito tempo, já estando no alto da montanha o que vê é um trecho de mata selvagem pela frente. O jovem não titubeia e entra nesta trilha pouco amistosa.
As ruínas de Machu Picchu estão bem próximas e neste momento os mosquitos e insetos atacam fortes qualquer invasor que entre nesta mata desavisado. As mãos ajudam a tirar os galhos do caminho mas é inevitável que eles ofereçam resistência. Por enquanto é só uma trilha reta, no meio de grama, árvores e bichos.

As ruínas estão mais ao alto e a trilha está no seu fim, o único caminho é diretamente para o alto, em direção da cidade esquecida que parece cada vez mais convidar o jovem desbravador. É preciso escalar a parede de pedra, terra e plantas.

O jovem não vê mais nuvens, não vê mais mato, não vê mais nada, tudo o que sente é o sangue quente e a concentração total no ato da escalada. São mais de oito metros e não importa se nesta altura os buracos que servem de apoio são casas de cobra ou algo assim; uma queda seria desastrosa e qualquer coisa que sirva para agarrar e seguir subindo serve.
Mas não há a imagem mental da queda, só existe aquele momento. Mãos, cabeça, dedos, pedras e terras, tudo se torna um prazer quase inesperado para este momento. O jovem chega ao topo e olha ao redor com cuidado. O que se vê em frente são vestígios de núvens, e cobertos pelas mantas de névoas jazem enormes blocos de pedra, revestidos de musgo verde-bege.

Os blocos vão em sentido ascendente e não se vê o que está no topo deste que parece ser um antigo e esquecido caminho inca.

O jovem é pequeno neste cenário majestoso que vai se revelando a cada passo lento. O clima já está frio neste final de tarde, o sol está próximo de deixar o céu.

Cada bloco de pedra é como um degráu de uma antiga e gigante escada... cada passo é dado com cautela. O que seria tudo isso?
Ao chegar no último bloco a grande cidade se revela ante seus olhos maravilhados. Uma profunda inspiração como se aquela visão roubasse o seu ar. São casas de pedras muito bem conservadas no alto desta montanha. A superfície é irregular mas dá para ver claramente como esta cidade, era em seus tempos de gloria.
A emoção ainda é grande, as pedras lisas e quadradas que formam as casas podem ser observadas.
Não há mais ninguém ao redor, o eco é companheiro.
Alguns passos até a outra beirada da cidade e o melhor visual de todos: o paradisíaco vale ao redor. Dá para ver os rios, as planícies e os morros lá embaixo. Em frente montanhas verdes mais baixas sob um céu azul com algumas núvens.
Dá vontade de gritar com eco! Mas o jovem fecha os olhos e aproveita aquele momento único.

Todas as casas feitas com blocos pequenos ou médios de granito distribuídas em zonas específicas. Uma área que servia para o cultivo e outra urbana.
Dentre as construções algumas pedras tem uma importância maior. A pedra Intihuatana não revela de cara a sua função, ao que parece há uma ligação entre a pedra, o formato das montanhas e o movimento astronômico. O Templo del sol e as terraças de plantações.
Os tons de cinza das pedras e o verde da grama curta em toda a cidade.

Imagens inesquecíveis.

A sensação de que não há mais tempo termina quando o sol toca o horizonte. O jovem abre os olhos e percebe que tem que correr.
Se o caminho até ali foi desafiante imagine o mesmo caminho de volta, no escuro!
Ele começa a correr de volta, literalmente se jogando ao saltar os gigantes blocos de pedra que serviam de entrada. O trecho da escalada é feito rápido, deslizando pela parede, tentando se agarrar em alguma raíz sem muito sucesso. A queda não é muito forte, ele continua correndo entre a trilha fechada inicial. Os cortes não incomodam, já está quase totalmente escuro. Agora com pouca luz os galhos e insetos duplicam o gráu de incomodo. Não importa, há pouco tempo e agora ele corre dentro desta vegetação pouco amistosa; só cobre os olhos tentando evitar que eles se cortem e não parar de correr.

Já não há mais luz do sol e a trilha aberta finalmente é encontrada, agora é fácil, dá para ir de olhos fechados.
Mas os olhos vão abertos, as pupilas se ajustam 'a pouca luz.
Nesta trilha, entre árvores, cigarras e outros bichos, o que se escuta é um jovem descendo, caminhando agora devagar, rindo extasiado como se não acreditasse no que havia experienciado.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Aguas Calientes








Ao despertar a mesma rotina, a prática, o café da manhã com café, pão, abacate e bananas.
Um banho no revigorante rio ao lado do camping. O nome deste lugar é Aguas Calientes mas o rio é gelado... não tanto quanto as águas dos rios e lagos da Bolívia mas ainda assim gelado.
Ao se enxugar o faz no sol, fitando as montanhas ao redor. Agora com a luz do dia dá para ver a ponta das ruinas de Machu Picchu no topo das montanhas.
Alguns minutos em um quase transe com aquela imagem retida pela visão. Robs passa boa parte do dia por alí. Lilou e Beata vão comprar comida no centro da cidade e Roberto decide acompanhá-las.
Enquanto prepara o macarrão para os famintos da turma Robs pergunta para alguns locais sobre o caminho até Machu Picchu. Ao que parece o acesso é bem fácil, existe uma estrada de terra que zigue-zagueia montanha acima até chegar ao portão principal. Esta estrada foi feita para os confortáveis onibus de turismo, para os que querem pagar e não querem caminhar. Para os que não querem pagar ou para os que querem disfrutar a trilha a opção é subir por um caminho um pouco íngreme de uma hora mais ou menos.

Havia um outro caminho, um caminho para a cidadela que era tido como secreto mas que muitos locais conhecem, era um caminho perigoso, pela selva.
Depois do macarrão os jovens voltam para o ponto do camping em que podem ver a antiga cidade.
O silencio reina até que uma curiosa figura aparece: é um pequeno local carregando quatro enormes mochilas de camping nas costas.
Em questão de minutos aparecem vários outros como ele, alguns trazem equipamentos para acampar e começam a montar algumas barracas bem modernas. Robert e as meninas permanecem alí, parados, sem entender de onde vieram estes 20 peruanos que em menos de dez minutos preencheram o campo do camping com umas 20 barracas. Algumas são barracas-banheiros, algumas barracas-cozinhas, tudo muito profissional.
Mas para quem aqueles guias estavam carregando tanto peso e preparando tamanha comodidade? Eis que aparecem alguns turistas que, apesar de não carregarem nada, pareciam estar bem exaustos. Pareciam estar na faixa dos trinta e cinco anos e dá para notar a profunda satisfação no olhar de cada um deles ao ver o acampamento todo pronto para eles.
Após esta pequena distração Beata volta a brincar com uma das crianças. Robs encontra um pastor alemão que aparece e já se mostra bem brincalhão. Uma criança parece conhecer o cão e começa a rolar na grama com ele. Só não contava com um formigueiro no caminho...
O pequeno corre para o rio e a ultima coisa que a criança nota é a temperatura da água.

O final de tarde é marcado por Robs encarando as ruínas no alto da montanha. Ele toma um mate e Lilou está ao seu lado.
A tal trilha secreta deixa o jovem instigado.


Fotos by Beata Sitarek