Mochilas prontas.
Robs repassa os últimos detalhes com Theo, um jovem local que seria o nosso guia até Machu Picchu.
Seriam necessários tomar três transportes diferentes e depois andar duas horas numa estradinha sem luz. Aguas Calientes é o lugar onde montaríamos acampamento antes de subir até a antiga cidade inca. Os ânimos estão mais altos que o normal. Lilou vem compartindo um fone de ouvido com o Robert no ônibus. Mario e Carolina estão em duas poltronas atrás, Charo e Beata ao lado do casal do Chile e Theo bebe o que seria água...
Não são dez da manhã e este nosso guia começa a agir de modo agitado, falando coisas sem sentido em inglês e espanhol. Está claro o que está acontecendo e não restam dúvidas quando o Roberto cheira a garrafa de "água" e descobre que na verdade o nosso amigo está tomando pisco!
São algumas horas com este peruano sem controle, totalmente bêbado dentro do ônibus; os outros peruanos não lhe davam bola, realmente surpreendiam pela paciência.
Algumas coisas que o doido grita viram jargões em um futuro próximo. Em um momento ele pergunta algo para alguém no ônibus e quando escuta a resposta seu comentário é sempre o mesmo- "Bueno, és tu vida!" O nosso grupo não sabe se ri ou chora.
A coisa já está em um limite. Na primeira parada é hora de trocar de ônibus e seguir em um mini-bus. Há a tentativa de levar o Theo mas este começa a gritar dentro da van e por sorte alguns locais reconhecem sua figura e, na segunda parada, ficam com ele. Menos mal, eles diziam ser seus familiares.
Já sem guia é hora de seguir em frente. Depois da segunda van o grupo precisa seguir em frente por um caminho de trem no meio da floresta, os trilhos são a única referencia quando a única luz é a da lua e das estrelas.
Todos que usam casacos agora estão só de camisa, alguns suando pelo peso das mochilas e o esforço extra que elas requerem. Dá para ver a diferença climática entre este ponto e o ponto de partida. Aqui é mais úmido com vegetação densa. Em alguns momentos um farol e um barulho característico da locomotiva que se aproxima rapidamente: "Trem!"- alguém grita e todos saem do caminho enquanto passa o poderoso veículo metálico levando alguma carga para Aguas Calientes em seus vagões traseiros.
Estão todos todos um pouco cansados mas ainda animados, mais ainda quando o terreno onde será o camping é avistado.Uma família simples nos recebe, um casal e das crianças, uma de colo. O marido, um senhor gordo, parece agitado, ele nos mostra onde se pode montar a barraca e tenta ser simpático. Alguém do nosso grupo repara o que o senhor tem na sua mão- uma garrafa de água...
Mais uma vez as suspeitas estavam certas pois quando o marido entrou na casa o que se ouve é uma discursão séria seguido de pratos e copos se quebrando. A esposa sai com um filho no colo enquanto a outra filha vem caminhando ao lado, estão todos chorando. A Beata segura a criança de colo e Roberto tenta acalma as mulheres ao mesmo tempo que observa se o louco vai sair da casa e tentar algo.Após o estado de alerta pouco a pouco tudo se acalma, o bêbado-pai parece que vai dormir e a família já está mais calma para voltar para casa."Tudo bem, isso é normal! Já vamos voltar para casa."Roberto deixa com uma certa relutância que eles voltem, não há muito o que fazer neste momento.
É tarde, numa noite misteriosa Robs está sentado observando a silhueta da montanha que circunda o acampamento; no topo dessa montanha está Machu Picchu e o jovem imagina como será o caminho até lá.Depois de montar a barraca todos saltam dentro dos seus sacos de dormir. Mario e Carol tinham uma barraca para eles enquanto Rob, Lilou, Beata e Charo dividem outra. Naquele frio é desnecessário dizer que todo mundo dorme bem juntinho.
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