quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Trujillo



Mais areia e mais mar.
Huanchaco é uma pequena cidade perto de Trujillo. É conhecida pelas ondas de larguras lendárias, mas nestes dias nublados parece que as ondas não estão lá grande coisa.
É o aniversário do Robs e, após conhecer centenas de pessoas, está neste momento sozinho.
A cidade está vazia nesta época, seria melhor passar o aniversário com pessoas queridas, mas se é para ser assim então é hora de escolher a melhor atividade local.
O sangue está puro e cheio de energia. Os hábitos positivos deste jovem já se fazem notar.
O surfe não está indicado nestas ondinhas. Há a tentativa mas está claro que o dia está para uma coisa nova: o tradicional barco de palha que usavam (e usam) os nativos de Huanchaco para pescar... e para surfar à moda antiga.
São grandes caiaques de palhas, pesados e difíceis de controlar.
O desafio está instalado quando Rob entra no mar com a embarcação. Para dificultar o remo era um bambú cortado ao meio em toda a sua extensão.
Após um início com dificuldades logo dá para fazer algumas manobras. Um desafio imprevisto em um dia pouco comum.

Pouco antes de partir de Huanchaco de volta a Lima Robs caminha pela orla ao entardecer e reconhece uma figura, é a Beata, uma das francesas companheiras de Macchu Pichu.
Os dois ficam dez minutos rindo bobos de se encontrarem assim por acaso. Meia hora com um café se mostra indispensável para botar as idéias em dia e matar a saudade.
Robs segue para o sul, Beata para a Amazônia.





Mapa

Mancora foi a última cidade em sentido norte.
Neste ponto o trajeto vai ao sul, até o extremo sul da Patagônia.
Antes vai percorrer a costa do Peru e do Chile...
Próxima parada Trujillo e Huanchaco.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Mancora






O sol brilha forte; esquenta a areia e o mar de Mancora, uma cidade de praia no norte do Peru, quase fronteira com o Equador.

É a cidade ideal para passar um par de dias, principalmente se você está vindo do sul do Peru em uma época onde o céu nublado predomina.

Ou se você cresceu perto da praia como é o caso do nosso amigo Rob Victor.


É interessante como o sol parece nos dar uma energia extra. Tempos como estes em que o mais certo a se fazer é sentir o quentinho da areia e perceber como não dá vontade de sair do mar depois do choque frio inicial.


Ah, o corpo salgado e uma divertida identificação com os animais marinhos.


Duas inglesas bem branquinhas com toda sua polidez britânica tentam entender o artesão meio hippie local, um garoto mais queimado e com trancas que tenta convencer as duas a comprar artesanias.

Robs se faz de tradutor ao princípio mas logo trata de aproveitar a praia na presença de um cachorro amigão de pelo branco e preto que fica tranquilo enquanto o carioca toca o seu tambor nas areias de Mancora.







sábado, 16 de agosto de 2008

Flow



"Um mesmo se encontra em um estado estático até o ponto que se sente que quase não existe. Já experimentei isso uma ou outra vez. Minha mão parece desprovida de meu próprio ser e eu não tenho nada a ver com o que está acontecendo. Simplesmente fico sentado, em um estado de admiração, desconcertado. E tudo flui por si mesmo". (Mihaly Csikszentmyhalyi, " Play and Intrinsic Rewards").

Esta é uma descrição do estado de Fluxo ou Flow, sugerido por Csikszentmyhalyi, psicólogo da Universidade de Chicago. Um estado em que as capacidades estão maximizadas, onde se supera a si mesmo em alguma atividade escolhida. A maioria das pessoas já experimentou o Flow em algum momento de sua vida. Estar neste estágio ocasiona uma grande concentração e um prazer consequente de estar realizando o ato com todas as capacidades ampliadas. O simples pensar " Estou fazendo isso maravilhosamente bem" interrompe o Fluxo. Há uma perda da sensação de tempo e espaço. ( Daniel Goleman, Emotional Intelligence). As pessoas parecem se concetrar melhor quando as exigências são um pouco maiores que as habituais.

Seria algo entre o aborrecimento de estar fazendo algo demasiadamente fácil e a ansiedade de estar fazendo algo demasiadamente desafiante.

O fluxo desperta um interesse especial na possibilidade de criá-lo de forma consciente, um estado que cria uma sensação de felicidade derivada da plenitude.Nada disso é novidade, mas alguns realmente necessitam o respaldo da ciência. A experiência parece não ser suficiente.

"E enquanto alguém alcança um desempenho optimizado enquanto se encontra neste estado não se preocupa como está atuando nem pensa no êxito ou no fracasso. O que o motiva é o puro prazer do ato mesmo". Csikszentmyhalyi.
Um ato produzido por uma atividade escolhida. Pode ser uma partida de xadrez, uma obra de arte, um ato amoroso...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tóg É Bog É

(Tóg É Bog É= Take it easy em Gaélico)

Tempos reflexivos somente se vierem de mãos dadas com a mais pura atividade.
Assim diria Roberto ao observar a praia de um lado e de outro dois novos amigos da Irlanda que rolam Half-Pipe abaixo em um tipo de wrestling simulado.
Parece ser uma constante entre espécimes machos que quando se conhecem desde crianças fazem uso frequente desta espécie de luta mais ou menos amistosa que, não raro, deixa alguém machucado.
Na maioria das vezes todos acabam rindo mas ainda é bom escutar aquela voz da mãe que sempre avisa nessas ocasiões em que as crianças estão quebrando tudo na casa-
" Essas brincadeiras não dão certo!"

No hostel em Lima além dos irlandeses chegam alguns israelenses, entre eles a Shir cujo nome significa " canção" em hebraico.
Será possível que uma pessoa se torne mais interessante pelo seu nome?
A Shir é uma jovem que conserva uma meiguice atrevida apesar do seu passado recente, no exército de Israel.

" Sabe isso poderia realmente acontecer..." - diria a Shir em relação aos seus sonhos.

De isso é feita esta dimensão feita de estradas e hostels, de pessoas que ignoram sonhos, de pessoas que criam sonhos e de pessoas que criam planos.

Depois algumas delas chegam no seu destino e criam, realizam.

O plano de hoje é um banquete- Curto prazo.

Planos megalomaníacos vizando a plena felicidade e total auto conhecimento- Longo prazo.







terça-feira, 12 de agosto de 2008

Lima.

Grandes shopping centers lembram o Robert de que Lima é uma cidade grande.
Alguns bairros sao muito pobres mas o bairro de Miraflores, onde o rapaz está hospedado, exibe uma certa opulência da aristocracia local
É um grande contraste sair da selva e entrar em uma loja enorme com todo tipo de TVs, DVDs, câmeras, Ipods, home theaters e outros lançamentos do momento.

Ao voltar ao hostel uma caminhada até o deck da praia de Miraflores. Algumas ondas pequenas e longas trazem a lembrança de quando se aproveitava o nascer do sol do Rio surfando ( ou tentando surfar). Ao redor de Lima estão algumas das melhores praias para o surfe no Peru, mas não nesta época.

Aqui neste deck Rob percebe que está sozinho pela primeira vez nesta viagem. Lembra como tentou ao máximo evitar estar sozinho, introspectivo, exceto pelos momentos das práticas diárias.

Ele lembra da intenção desta viagem, explicitada em um dos primeiros textos deste relato de viagem:

E o que se pode esperar do novo desconhecido a frente?
Não se espera uma aventura, apesar do prazer em cada novo passo.
Não é uma procura por reclusão, esta pode ser encontrada qualquer dia, em qualquer lugar.

Tampouco se deseja a introversão... pelos mesmos motivos.
Mas se pode desenvolver o carinho, então aí está algo a ser feito.
Se posso desenvolver a ternura, então eu devo.
Com os diversos tipos que conhecer.
Rostos, emoções, razões, árvores e pedras.
Não é uma busca por um caminho.
Afinal eu já tenho o meu.
É como uma chance única.
De firmar o que já se sabe.
De se pôr a prova ao múltiplo.
De cada vez entender a si próprio, mesmo quando o tempo ao meu redor mudar.
E estabelecer contato com aqueles,
de semelhante sintonia.

Mas se o momento este agora, que é vivido tão intensamente, o trouxe até aqui, então melhor fazer bom uso dele.
Recarregar as baterias, fazer práticas intensas, estudar o quanto as habilidades sociais evoluíram, e assimilar esses últimos meses intensos... meses que poderiam ter sido muito bem somente um intenso segundo.

Na verdade uma pessoa não se sente só quando está em sintonia com tantas outras. Mesmo que à distância.

A mente se esvazia e acalma. Os próximos projetos e trabalhos se revelam pouco a pouco.

domingo, 10 de agosto de 2008

À bientôt




A capital do Peru é a maior cidade de todas percorridas até então. Dá para notar claramente o rítimo das pessoas que é sensivelmente mais acelerado.

O hostel está vazio, os únicos rostos conhecidos são o da Alexandra, o da Audrey e da Alexandra loira.

Alguns dias agradáveis com a Alex, finalmente chega a hora das francesas voltarem para casa em Le Havre, perto de Paris.


Na despedida toca em algum lugar " Don´t get lost in heaven" do Gorillaz.

- Bem, você vai agora? - pergunta o Roberto.

- Sim. - responde a Alexandra.

- Nos veremos novamente, não?

- Claro.

- Não importa realmente. - diz Rob se distraindo com algumas nuvens que se movem rápidas com o vento. Alex dá uma risadinha e Rob volta a olhar para ela.

Um pequeno silêncio, nada de incômodo.

- De tudo até aqui o que você gosta mais? - pergunta a francesa.

- Eu gosto deste momento com você agora, poderia usá-lo, alargá-lo até o infinito.

- E quando eu me for?

- Humm, como é forte a sua lembrança. Acho que vou ter que criar outros momentos perfeitos e assim seguir em frente.

- Hehehe, não se perca no paraíso.

- OK.

- E até quando você vai seguir? - pergunta a Alex.

- Para sempre. Há uma diferença entre seguir em um caminho e buscar um caminho. Eu não estou buscando um, já tenho o meu. Mas há sempre espaço para melhorar.

- Alex sorri levemente, Robs continua.

- E quanta inspiração você proporciona. Como aquelas Deusas sacando o infinito dentro das limitações dos homens. E o faz quando sorri com os seus olhos.

Alex sorri com os olhos; Rob sorri de volta e continua.

- Por isso querida, essas palavras nunca serão ditas, elas não são necessárias.

Alex baixa a cabeça um pouco, logo ela se ergue e fita Robs nos olhos.


Um beijo e um abraço. E assim ela parte.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Piedras y arena.

Estradas e mais estradas.
Quando chega a hora de deixar Cusco o grande grupo que crescia desde o inicio se dissipa, cada um para um lado.
A lembrança de alguns maneirismos da Lilou faz o jovem Robert rir do deserto neste caminho para Lima.
Parece que se pode aprender a dosar a intensidade do apego com coisas e pessoas, até chegar a aproveitar o máximo de cada relação de uma forma sana.
Quando as pedras e areias do deserto ao redor tomam cores distintas,
providenciadas por memórias.
E quando essas memórias são só memórias.
Então está na hora de seguir em frente.

A Alex estará em Lima. O que haverá na capital do Peru?