quinta-feira, 18 de outubro de 2007


... e realmente algo iria mudar, e não era somente o ambiente ao redor.

Ta Panta RI

Ao lado de um mini- cinema na Plaza Murillo está um restaurante Hindu, bem é um local com fotos de deuses hindus e com alguns pratos daquele país, porém a pimenta era uma velha conhecida local- a Llajua boliviana.
Uma boa pedida é derramar a Llajua sobre os vegetais que são oferecidos inicialmente e depois despejar a combinação sobre a sopa que vem em seguida. Quando chegar o prato principal você certamente estará satisfeito.
Muitos passavam por ali e quando não cozinhávamos este era o local para o almoço.
A ΣΟΦΙΑ da Grécia aproveita um momento após uma farta refeição para nos divertir com um jogo que deveríamos descobrir como era a palavra grega relativa 'a palavra em espanhol como por exemplo:
Água= hydros, cuatro= tetra e assim por diante.
Como em outros momentos a impressão que fica é que as línguas não são tão diferentes.
Em algum momento a ΣΟΦΙΑ menciona uma expressão a la Heráclito- Ta Panta RI -Todo Cambia- Tudo muda.
Um silencio suave em La Paz. Como sobremesa um chocolate na Plaza Murillo onde crianças jogam milhos para infinitos pombos.

Em algum lugar do mundo alguém escuta " Go with the Flow." do Queens of Stone Age...





Após tantos estímulos olfativos, sonoros e visuais na praça ao lado da igreja San Francisco um caminhante irá reparar inevitavelmente que jovens vestidos de zebras tentam organizar a bagunça que é o transito neste centro de cidade.
No início da avenida principal uma passarela está sendo construída, por enquanto os pedestres atravessam como podem para chegar no mercado da praça. Netse ponto se misturam caminhantes apressados entre várias barraquinhas que vendem produtos industrializados como sabonetes, pastas de dente, shampoos e coisas do tipo.
No meio do tumulto algumas pessoas se amontoam para escutar um homem local que claramente possui um talento oratório. Os discursos, na maioria políticos prendem a atenção de todos.
Um pouco longe dali, no alojamiento El Carretero o clima é mais ameno. Uma jovem universitária da Grécia chamada ΣΟΦΙΑ ΠΑΠΑΔΟΠΟΥΛΟΥ observa os artesanos meio hippies que estao hospedados no mesmo alojamiento que ela. A jovem observa os colares, pulseiras e similares sendo produzidos com cuidado, algumas destas artesanias revelam formas bem complexas, talvez influenciadas pela própria Bolívia.
No por do sol todos se reúnem em um mirador para ver a cidade de um ponto privilegiado. Montanhas rodeiam casa e edifícios... em uma altura que não passa despercebida pelo organismo humano.



terça-feira, 2 de outubro de 2007

...e um poeta favorito, Fernando Pessoa, escreveu:

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Todos satisfeitos.
Uma hora depois de uma refeição, uma fruta.
Uma maçã verde, ou uma mandarina.
As frutas, doces e deliciosas fazem parte da rotina.
Tornam tudo mais prazeroso.
Proporcionam a proximidade à uma perfeição, que era lapidada antes, agora, e será melhor explorada depois...
Uma menina em outra ocasião carinhosa aproveitou a intimidade para disparar:
"Isto tudo não é real, você não é real!"
Em parte ela estava certa, mas como resposta ela teve uma mirada profunda. Palavras aqui seriam desnecessárias, ficaram entre um pensamento:
"Se é assim melhor aproveitar!"
Afinal há um trabalho sendo realizado, e isso é parte do trabalho.
A Martina sabe fazer rir.
Neste terraço em plana cidade de La Paz quantas estrelas podiam ser vistas.
E ao inventar novos jogos cada um relembrava as pessoas que passaram por suas vidas.
Sem muita nostalgia do que passou, mais com alegria do que a lembrança proporciona.
Quantas pessoas já cruzaram o caminho, gente de todos os continentes, com todo o tipo de história.
O dia amanhece a Martina segue viagem. Vai direto para Cusco.
Em La Paz é só mais um dia normal.
Por aqui não se nota a presença de redes de fast-food, shopping centers ou coisas desse tipo. Só um ou outro estabelecimento deste tipo espalhados pela cidade. O melhor aqui é se aventurar na bagunça, ir a um mercado ( no caso aqui o Mercado Central) e tentar descobrir alguma especiaria desconhecida.
Depois de comprar vários legumes, um pouco de arroz, e algumas pimentas exóticas chega a hora de voltar ao hostel e encontrar os loucos famintos que se tornam todos sorrisos quando alguém diz que vai cozinhar.