sexta-feira, 30 de novembro de 2007

La Gruta de San Pedro






Em Sorata uma das principais opções para os visitantes é uma conhecida caverna conhecida como La Gruta de San Pedro.
Roberto, Alex e Audrey decidem ir visitá-la.
É um caminho mais ou menos longo, o mais recomendável é tomar carona com algum carro ou caminhão que passa pelo caminho.
Mas ao deslumbrar as montanhas incríveis ao redor fica claro que a melhor forma é mesmo a velha caminhada.
A Alex traz o seu MP3 player. Ela apresenta a sua música oferecendo ao Roberto algumas canções que acompanhariam o jovem por toda a viagem.
Serge Gainsbourgh, Nouvelle Vague, Noir Desir, Lebanese Underground são alguns dos compositores/ grupos cujas melodias iluminam a terra e o céu de Sorata.

Na entrada da caverna há uma bilheteria. Dá para ver que mesmo aqui onde não passa muita gente alguém já pensou na forma de ganhar um dinheiro extra.

Antes de entrar, enquanto todos aproveitam a linda selva do alto de uma pedra, resolve aparecer Albert, el Perro. Um cão de raça sem dono (isso é muito comum na Bolivia e no Peru) que vem se aproximando com olhos de "pidão".
As meninas se compadecem. Albert ganha alguns biscoitos de água e sal ( Pobre! Mas a julgar parece que ele comeria até pedras se lhe fossem dadas).

A entrada da caverna, um pouco estreita, logo revela um interior largo e amplo. Há umidade e eco.
Logo no início há um lago. Um senhor cobra pelo uso do barco pedalinho ( mais uma cobrança, esse passeio já está ficando caro). Após alguma hesitação se paga pelo transporte que levaria os 3 turistas ao outro lado da lagoa e da caverna.

Alex toma a dianteira e se mostra uma excelente condutora de pedalinhos.
O lago parece limpo mas como está escuro não se vê muito...
Ao chegar na outra margem o trajeto é novamente a pé. Pouco a pouco a caverna vai se revelando estreita e claustrofóbica lembrando as minas de Potosí.

Do lado de fora o ar puro e frio traz imediata renovação para aqueles que deixam a caverna.

E Albert, o cão sem dono já havia partido...





LLamas!

As llamas estão em todas as partes na Bolivia.
Perto da hospedagem em Sorata a Audrey encontrou alguns destes animais
peculiares.
Não são cavalos, não são ovelhas, são llamas!
A partir do seu pelo se produzem todos os tipos de casacos, gorros,
meias, luvas... pantufas.
Após ser convencida que era seguro a Audrey resolve se aproximar e
estabelecer contato com uma llama que já era uma senhora de idade.
A Audrey se aproxima com medo; não de um coice ou uma mordida, mas do
temível e famoso "cuspe da llama"!
Após a tentativa frustrada de aproximação fica claro que a dona llama
não quer saber de brincadeira.

Nem aceita a fruta que lhe é ofertada de presente...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sorata






Quando a sensibilidade está maximizada.
Quando se possui contentamento.
Quando não se vai contra os processos da vida.
A perfeição é uma escolha.

Em Sorata novamente entre amigos.

Ao amanhecer um passeio no Rio, nesta pequena cidade no meio da selva.

Na companhia da Alex Meunier um nascer do sol, sob montanhas com neve no cume.
A água gelada é sentida plenamente pelo tato de pés descalços.
O tempo muda.
Torna-se infinito.
Dois sorrisos serenos e não mais necessidade de sentido.

As cebolas douram e logo se juntam ás lentilhas. Os vegetais tem o seu cheiro mesclado com o próprio olor do cominho e da nós moscada utilizados no seu preparo.

Ao degustar o prato sob a vista inesquecível das montanhas ao redor...
o que poderia ser diferente?

A ducha fria não incomoda.
Quando olhos verdes te miram e te dizem tudo sobre tu mesmo.

Quando a realidade é mais que uma emoção.
Se pode aproveitar ao máximo esta emoção,
e quando esta emoção mudar ( inevitavelmente),
a realidade permanece a mesma.

Momentos de poder!




quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Wilson, el mono.

Um mico com trajes coloridos anda tranquilo dentro da área da Casa Reggae, uma hospedagem simples porém bastante confortável no coração de Sorata.
Saltos altos e precisos, Wilson, como se chama o primata, pula e corre quando algo desperta o seu interesse. No caso a novidade é a chegada de alguns novos turistas 'a hospedagem.
Um brasileiro e 3 francesas (as duas Alexandras e a Audrey... a Moma foi para outro lugar sozinha).
Todos chegam e encontram a Charo a Gui e o Fran, os amigos argentinos que já estavam na hospedagem.
O ar fresco de Sorata é revigorante, uma sensação tranquila ao chegar nesta cidade perto de La Paz, bem no meio da selva.

Wilson, O mico, observa tudo e prepara uma travessura.

Quando se esquenta a água para o mate Rosamonte legítimo o pequeno peludo salta e rouba a bombilla- o canudo de metal pelo qual se toma o mate.
Todos vão atrás do pequeno larápio, mas Wilson conhece bem o terreno e salta entre mesas, galhos e pit bulls que dormem impertubáveis.

No fim ele se cansa. Junta-se ao grupo devolvendo o o artefato.
Todos aproveitam esse momento em que nuvens nadam entre as montanhas formando um por do sol singular.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O retorno e avante.






"Sleeping is giving in, no matter what the time is. Sleeping is giving in, so lift those heavy eyelids.
Everytime you close your eyes lies, lies! "
Arcade Fire- Rebellion.

De volta a La Paz com uma nova energia de Chacaltana.
Há um padrão de como as coisas vão acontecendo e ele pode ser percebido mais claramente.
Grupos de seres humanos na sua maioria jovens.
Uma inegável sensação de que as coisas estão sendo feitas como deveriam.
Aqui o que se percebe é a presença e a influencia de um sentimento específico. Não importa o agente da emoção, não importa quem iniciou a contagiante onda.
O que importa é que o aglutinador deste grupo é uma eufórica sensação de simplicidade.
Através de música e de jantares geniais estes jovens já não são tão diferentes uns dos outros. Todos se comunicam através de um palpável plano emocional.

E ao comer um rotineiro chocolate na Plazza Murillo com a Charo e o Peter parece ficar mais claro qual foi a novidade inspirada pelos olhos da Alex.

Uma perfeição que parece se revelar mais cultivável do que nunca. Nada da perfeição socrática, ideal, impossível neste mundo.

Momentos perfeitos. Perfeitos porque assim se querem.

Batidas de tambor. O rítmo desperta um sorriso e algo além de um sorriso.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Chacaltana










Quando tudo está calmo uma novidade.

Quatro francesas que aparecem e chamam a atenção. Na verdade elas estavam no mesmo hostel em Potosí em que o jovem Roberto se hospedava mas naquela ocasião tinham todos amigos diferentes. Em La Paz, neste alojamiento com pessoas tão distintas, elas não passam despercebidas.

Duas Alexandras, a Audrey e a Moma.


A Audrey faz rir desde o início com suas francesices. A Moma parece estar um pouco deslocada do grupo. Das Alexandras uma é loira e fala pouco inglês ou espanhol, a comunicação era basicamente por mímicas. A outra era a Alex Meunier e desde o início fica claro que o contato com ela resultaria em algo especial. E logo aparece a oportunidade para uma aproximação, quando as francesas decidem ir até a montanha Chacaltana perto de La Paz.

Desde o início fica claro que toda sutileza seria necessária.
O grupo de cinco mais o motorista contratado parte para o seu objetivo. O cenário muda pouco a pouco, a urbes descontrolada de La Paz cede lugar a uma estrada arenosa com montanhas em tons de marrom.
A amplitude do horizonte é o que prevalece quanto mais se avança. Alguns trechos exigem perícia do motorista mas ele parece estar acostumado com as partes estreitas da estrada e com os precipícios de algumas centenas de metros.
Antes do cume há uma cabana, um ponto ideal para tomar um café ou um chá quente.
Os olhos verdes da Alex Meunier chamam a atenção, não só pela beleza mas pela intensidade.
Neste momento em que uma comunicação não verbal é tão apreciada é no mínimo fascinante ver uma pessoa que fala tanto com o olhar.
Ao redor uma vastidão quase infinita. Cores e formas parecem se fundir. O céu azul com algumas nuvens, o verde- marrom do altiplano ao redor e agora o novo branco da neve que se mostra cada vez mais presente conforme se avança.
Aqui já são mais de cinco mil metros. Não é só cautela que se mostra necessária, cada passo deve ser lento, sempre com respeito a esta nova altitude.
Cada um ao seu tempo chega ao cume...
A vista é incrível, há uma sensação de vitoria e de serenidade compartilhada por todos.
A Alex Meunier está sentada em uma pedra e fecha os olhos para melhor aproveitar o ar puro (mesmo com menos oxigenio) e sentir o vento frio em seu rosto.
Logo todos se juntam para, entre risadas, tirar fotos e fazer videos. Algo novo está acontecendo, algo novo.
O contato e a aproximação com estas francesas, especialmente com uma delas, traz um novo tipo de inspiração.


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