sábado, 29 de setembro de 2007

Ao subir uma longa rampa a distancia daquela caótica rua aumenta.
No caminho uma quadra antes do hostel uma cholita vende frutas.
Bananas e mandarinas são as escolhidas.
Os funcionários dizem Hola Brasil com um grande sorriso sorriso ao vê-lo entrar (brasileiros junto com os irlandeses têm fama de serem os mais amigáveis do mundo) este brasileiro sorri de volta para o staff ao mesmo que joga uma mandaina para um francês artesão que tocava um tambor.
Uma felicidade sem palavras é compartida pelos dois ao constarem que a fruta está super doce e saborosa.
Aos dois juntam-se a Martina e a Charo.
Um mate con galleta numa tarde qualquer em La Paz. Um canadense de bandana agarra o violão.
Andreas da Noruega chega com sua barba peculiar acompanha a melodia com a cabeça...
No meio de uma cidade bagunçada como La Paz, no centro de um hostel não muito organizado, um cenário cosmopolita.
Onde todos decidem aproveitar o movimento.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Depois de ter me acostumado com a altitude,
Depois de ter me conscientizado da menor quantidade de oxigênio nos pulmões,
uma partida de futebol com os bolivianos.
Dá para jogar mas a sensação é diferente.
Com menos oxigênio há menos energia para correr,
Ao mesmo tempo fica claro porque por aqui as coisas,
vão mais devagar...
... mais calmas.

domingo, 23 de setembro de 2007

Ao viajar por novos terrenos escutamos algumas impressões variadas.
Algumas pessoas se relacionam bem com os locais.
Outras reclamam que elas são antipáticas ou hostis.
Cada vez mais me está claro que estas impressões são um espelho de como nós mesmos agimos com os outros.
Que boa sensação a de entrar em contato com alguém desconfiado, fechado.
E em poucos minutos ganhar a confiança dessa pessoa
conquistar uma amizade...
Um sorriso constroi.
Todas as outras coisas nada fazem
ou destroem
Um sorriso aproxima.
Ilumina o medo e o receio.
Um sorriso é a resposta
para palavras que persistem.
Um sorriso abre portas.
E proporciona de forma única
identificação.

Um brilho inconfundível
daquele honesto sorriso
teve como inevitável retribuição
um mundo inteiro sorrindo de volta
com alegria e descontração.

O poder da união
começa com um sorriso.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Chegada em la Paz























Ao chegar em La Paz pela noite foi inevitável a sensação de que se havia chegado em uma cidade de maior porte.
O hostel indicado por amigos argentinos em Potosí se chamava El Carretero.
Era um alojamento simples (bem simples), com as paredes dos quartos rabiscadas com as idéias e desenhos mais loucos dos viajantes mais pirados que passaram por aquele lugar.
Apesar das limitações era um hostel bem conhecido e barato. Eu e a Martina estávamos empolgados e o fato da ducha ser fria em um lugar que fazia uns 5 graus não cortou a nossa animação.
La Paz é o lugar para fazer tudo o que se tem que fazer numa cidade grande. Há mais restaurantes, lugares para comprar casacos de LLama, luvas, um cachecol... tudo a preços irrisórios.
Primeiro era hora de descansar um pouco. Fomos ver o terraço do hostel tomando um mate quentinho e- que sorte!- havia uma vista linda com um céu aberto e estrelado. Dava para ver boa parte da cidade lá de cima... só por isso já valeu a pena o dinheiro pago ali.

Ao despertar tomava café da manha e subia logo lá para o terraço. A cada momento a luz do sol criava um efeito diferente. Era um lugar aonde tinha privacidade para praticar e curtir o visual.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Após conhecer um pouco mais a cidade de Potosí era hora de seguir viagem.
Eu e a Maritina da Alemanha compramos nossa passagem rumo a La Paz.
Muitos dos nossos conhecidos foram para o Salar de Uyuni. Eu decidi que não era o momento ideal para ir e que iria desde San Pedro de Atacama no Chile.
...
Depois de um tempo viajando se começa a ver um padrão. As pessoas estão mais solícitas, estão mais abertas.
É impressionante a facilidade de juntar grupos com uma energia alegre e espontânea numa situação assim. Quero levar comigo o máximo dessa energia, sinto como se pudesse enxergar de maneira mais clara o fluxo e os padrões da vida.
Será que isso tem que se perder na rotina do dia a dia no lugar escolhido para me estabelecer?
No creo...
;-)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O olho do Inca.

El ojo del inca com seu visual paradisíaco é capaz de proporcionar momentos de puro deleite. Uma lagoa de água quente numa altitude Boliviana com lindas montanhas ao redor...
A Charo da Argentina, o Robert da Irlanda, o Peter da Nova Zelandia, e o Roberto do Brasil. Uma galera buena onda curtindo bons momentos em um lugar único.
A arte de cultivar tempos de felicidade!

...





























quinta-feira, 6 de setembro de 2007

As minas de Potosí

























As minas de Potosí são a principal fonte econômica da cidade.
A vida dos trabalhadores é dura e a expectativa de vida dos que trabalham na extração de metais é de pouco mais de 35 anos.
Há um tour para conhecer as minas e havia um certo receio que este tour tivesse um tom exploratório, porém logo pude ver que na verdade os trabalhadores se alegram com a presença dos turistas.
Não bastava a altitude, o ar dentro das cavernas era consideravelmente menor, e cheio de poeira...
Os caminhos eram estreitos o que não fazia do tour um caminho recomendado para claustrofóbicos.
Em um momento o guia falou para todos apagarem as luzes para podermos ver como era a situação dos trabalhadores quando a luz do capacete quebrava... realmente precisavam de calma para lidar com uma situação dessas.
No caminho encontramos um trabalhador que sorriu quando nos encontrou, ele me mostrou como se fazia um buraco na rocha dura com uma picareta e eu pude constar como era difícil esculpir pequenos buracos onde entrariam as dinamites ( durante o tour escutávamos de vez em quando o estrondo de alguma dessas bombas sendo detonadas em algum ponto mais distante da gruta).



















Talvez o que mais me chamou a atenção nas minas foi a figura que "abençoava" os trabalhadores. Era uma figura parecida com um diabo chamada de "Tio". O mais peculiar aqui é que muitos eram cristãos pelo dia e veneravam o Tio pela noite, tudo muito normal por aqui...
Depois de trocar algumas palavras alegres com os trabalhadores eu saí exausto das minas. O guia me deixou explodir uma dinamite e eu pude ver que era um pouco mais forte que bombinha de São João.
Estava no meio da tarde e alguém sugeriu um ótimo local para relaxar o corpo depois das minas:
"El Ojo del Inca"...
Foram poucas horas naquele local peculiar, mas foi impressionante. Quando vemos pessoas que literalmente passam a maior parte do tempo neste ambiente, onde o escuro é onipresente, passamos a valorizar mais a luz no final do túnel...