quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tierra del Fuego

Ushuaia, Terra do Fogo.

Último ponto da viagem, na cidade mais austral do mundo junto da chilena Puerto Williams, no extremo sul da América do Sul.

Perfeito para ser o ponto final desta jornada.
...



Em este Todo que acontece o que é a experiência?
Se há a chance de aprender, de melhorar então ela é válida.
Se o tempo é uma dimensão relativa e esta relatividade é percebida intensamente, então ela é útil.
Se o ego é limitado mas pode se fortalecer enquanto o verdadeiro ser galga por terrenos de maior consciência,
então ela é necesessária.
Se as relações fundamentadas em carinho e boa vontade constroem intensamente,
então eu a quero.
E que o dia a dia seja palco para por em prática as lições assimiladas.
Que o poder de um se junte ao poder de outros e que o poder gregário mude o mundo.
Um começa por si próprio.
Disfrutando todo o processo.

Força, Poder e Energia!



terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Punta Arenas- Ushuaia









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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008



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Torres del Paine



Torres del Paine é o espetacular parque ecológico ao sul do Chile.
Uma beleza única nas américas, as vezes comparada aos alpes europeus com uma sensação de ainda maior amplitude nesta região da América do Sul em relação ao cenário do velho continente.
Uma experiencia também para o Roberto que agora se vê acampando sozinho no campo frio desta natureza exuberante.


Os pássaros são amigos e se aproximam para comer as migalhas de pão oferecidas.
Em nenhum momento o objetivo da viagem foi a reclusão, em nenhum momento esteve só... depois de conhecer centenas de pessoas nesta viagem é hora de assimilar tudo e, talvez, chegar a um novo estágio nesta mesma viagem.
Um ponto onde a natureza será assimilada de outra maneira; as palavras pouco a pouco perdem o sentido quando, neste momento, um dos pássaros pergunta: "Quem é o Roberto nesta vastidão de terra, árvores e gelo?" -Neste agora isso importa muito pouco.
Sobre as três torres que dão nome a esta área as palavras dão lugar a imagens.
As imagens se sobressaem sobre as descrições, visões de uma natureza pouco ou nada afetada
pela presença do homem.

Dentre estes homens um caminha absorvido por esta força. As emoções e razões do seu ego são melhores compreendidos podendo assim seguir seus passos de uma maneira mais distinta e consciente.
Ainda há muito para praticar e aprender. Um sentido de gratidão sem uma orígem concreta brota neste ser humano em um Pújá intenso e cheio de sentido ao seu Mestre e a todos Mestres que o precederam.
Antes das imagens assumirem...






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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Patagônia




Um vôo entre Santiago e Punta Arenas no extremo sul do Chile. Se antes, no norte predominam os tons amarelados do deserto, no centro, na capital Santiago os edifícios mostram do que é feita uma metrópole.
No sul mais uma nova mudança na paisagem, desta vez é a exuberante Patagônia que revela todas as suas cores e seu cenário fílmico.
Punta Arenas é o ponto de partida para desbravar um pouco lado chileno da região. Com uma amiga alemã e um suiço Roberto planeja como será a estadia no parque de Torres Del Paine, provavelmente um dos mais espetaculares da America do Sul, senão do mundo.
Diferentes cronogramas e o brasileiro irá por conta própria. Após revisar todo o equipamento- barracas, bolsa de dormir para neve, botas, provisões é hora de tomar um ônibus para Puerto Natales, daí saem as expedições para a reserva ecológica.


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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Arena antes de la capital.



Grãos de areia que se espalham pela estrada e revelam o seco deixado cada vez mais para trás. Nos últimos momentos em que a praia de Iquique se revela como um grande oásis, principalmente quando as estradas de muitas horas entre Iquique e Santiago mostram que em alguma parte deste continente, americano-sul, o vasto dialoga com o silêncio ou com no máximo com o silvar do vento que arrasta grãos de pequenas pedras.


Uma infinidade do mesmo, quando a jornada deixa de parecer longa é porque mais uma destinação foi alcançada. Santiago revela seus edifícios, seus bairros bem espalhados em uma cidade bem organizada para uma grande cidade. Uma simpática família recebe o Roberto que se vê como hóspede em uma casa de família- situação pouco comum apesar da estrada atrás.


A jovem Chilena Lissette dá um show de hospitalidade e leva o brasileiro de carro para conhecer toda a cidade. Sua familia cozinha e também se revela muito amável. Pela noite vão o Roberto a Lissete mais dois amigos de Santiago jantar e depois passear próximo à área do aeroporto local onde, com o frio da noite, se revela ser um lugar agradável para conversar sob o céu de estrelas e boings que rasgam a noite não muito distantes...A passagem pela capital é rápida, logo é hora de tomar outro ônibus com longa viagem. Desta vez não será mais o deserto mas o incrível visual da Patagônia.


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sábado, 29 de novembro de 2008

Norte do Chile ou Água do deserto.


"Muitas das ansiedades que te perturbam são supérfluas; sendo apenas criações da tua imaginação, podes ver-te livre delas e expandir-te para uma região mais ampla, deixando o pensamento varrer todo o universo, contemplando os ilimitados campos da eternidade, notando a rapidez da mudança em cada coisa criada, e contrastando o breve espaço de tempo entre o nascimento e a dissolução com as infindáveis eternidades que precedem um e o infinito que se segue à outra. "

Marco Aurelio.




Arica.

O ônibus parte de Arequipa em direção ao sul. Passa por Tacna e cruza a fronteira com o Chile.Os trâmites de sempre, carimbos no passaporte e o primeiro destino no Chile é uma pequena cidade chamada Arica.Um pequeno hostel perto da praia local.Roberto vai dormir lembrando do que disse uma amiga inglesa que estava no Point Arequipa:" Cuidado, se sentir que começa um terremoto procure um lugar seguro!"Roberto está tão cansado que apaga na confortável cama. No dia seguinte ele acorda e, meio dormido, comenta com os outros hóspedes."Uau, tive um sonho estranho, é como se estivesse em um terremoto, tudo sacudia..."
Os hóspedes meio espantados respondem de imediato:
"Não foi sonho, ontem tivemos um terremoto de 6.5 na escala Richter!"
Na hora a lembrança da amiga da Inglaterra. As vezes os conselhos meio intuitivos das mulheres podem ser preciosos.
Felizmente o hostel tem uma estrutura resistente a terremotos.


Iquique.


A primeira impressão é que esta é uma cidade de praia como qualquer outra, logo porém se percebe que Iquique está no meio do deserto predominante no norte do Chile.
O racionamento de água é uma realidade, mas não por isso a linda praia ao lado do hostel Backpackers deixe de ser um atrativo.
O hostel é bem simpático com um staff bonito e descontraído.
Ao lado da galesa genial Claire, mais um amigo da Australia e um estado-unidense dá para curtir as ondas, o sol, comer uma pizza e caminhar pelas ruas tranquilas.





sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O rio de Heráclito.






A hora de se despedir pode ser de várias maneiras.
Muitos concordariam que uma despedida alegre. honestamente feliz tem a vantagem de deixar somente o gostinho bom do que fica para trás.
Na verdade não fica a impressão que algo ficou atrás.

Quando o saudosismo de um passado recente ou distante parece uma loucura.

Amigos queridos, só Arequipa, com o seu Misti, e o Point já seriam suficientes para uma viagem inesquecível.

Hora de seguir em frente, sabendo que algo especial muda na vida do jovem Roberto. Depois desse mês ele não é o mesmo,
está melhor e conhece mais a si próprio.
Espera poder compartir um pouco deste conhecimento em forma de sensações com aqueles ao seu redor.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Misti Volcano







Um vento frio carregando um pouco de areia desta montanha em direção a este grupo que se esforça para dar cada passo.
O vulcão Misti mostra porque é tão poderoso.
Neste grupo formado por um brasileiro, um jovem da Irlanda, uma inglesa e um israelense, guiados por um local, as expectativas eram parecidas. Agora tudo muda, a cada passo, este agora com cada vez menos oxigênio revela diferentes ambições.
Na primeira parada está o acampamento, este é o ponto onde se manifestam, de modo meio inesperado, as melhores experiências.
Muitos ficam obcecados em chegar ao cume, não prestam muita atenção neste estágio que provavelmente é o mais espetacular.
A noite mais estrelada que você poderá ver na America do Sul, mais a tranquilidade proporcionada pelo pouco oxigênio, é como se as emoções- serenas- decidissem entrar em sintonia com as outras funções humanas.
Lá no fundo se vê a cidade de Arequipa no escuro. Infinitos pontos de luz tomam uma parte do vasto cenário da natureza local. Não são luzes ofuscantes, só o suficiente para deixar claro que há uma civilização humana alí.
Deste alto não parece tão imponente esta cidade com suas casas, ruas e carros. Do alto do vulcão só podem ser vistos pequenos pontos de luz artificial que se mesclam com as infinitas luzes naturais das estrelas.

Todo este conjunto maravilhoso e nenhum pensamento vem à mente. Somente esta sensação de tranquilidade.
Quando se fecha os olhos a prática diária é realizada de maneira espontânea e é mais poderosa que nunca.
Nestas horas durante a noite no vulcão... se o tempo parecia ir mais devagar aqui ele para.

Após um prazer indescritível é hora de voltar e concentrar no tempo criado mais uma vez pelo homem.
Mas aquela sintonia estabelecida com esta paisagem e com este arquetípico vulcão não será esquecida.



Fotos by Gerald Power

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Eyes on the shine.





Um dia ao acordar pela manhã parecendo que o tempo está mais devagar.
O Rítmo Universal permanece inalterado mas as emoções e a constituição biológica pessoal mudam devido a diversos fatores como alimentação, quantidade e qualidade sono, atividade física, etc... O dia passa tranquilo no Point. Como se fosse o período calmo desse trance, o rítmo está calmo e logo estará rápido novamente.
Sempre intenso, mesmo quando sereno.
Aproveitando o pouco movimento o James mostra o quanto está empolgado com suas classes de caiaque, no meio da sala principal ele coloca duas cadeiras de forma que possa estender as pernas, simulando o caiaque. Com os braços ele segura o remo e simula o movimento que faria em um rio agitado.
O Reto prepara um mate legítimo argentino, uma verdadeira relíquia aqui por não ser tão fácil de ser encontrada no Peru. A caneca utilizada não foi uma tradicional, foi uma xícara de chá improvisada, a bombilla sim é legítima, de qualquer forma dá para matar a saudade.
Cada um aproveita para fazer algo diferente. A Ana começa a pintar o muro do hostel, Roberto termina o trabalho.
Tomate limpa a piscina e a Lou mostra o hostel para um visitante. Mais pela tarde os hóspedes já se mostram com fome. Cyntia e Roberto começam a cozinhar. Um jovem inglês chamado Chris entra com sua mochila na sala do Point e nota os cerca de trinta hóspedes se divertindo com o Jenga, logo ele conhece o Roberto, a Bridhe e a impressão que fica um senso de repetição destes recentes acontecimentos.
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Uma nova manhã e o sol ilumina o glorioso vulcão Misti. Este vulcão que permanece se destacando no cenário natural de Arequipa parece exercer um magnetismo sobre as pessoas. Roberto e Gerald da Irlanda decidem ir conhecer o vulcão. Não há muita preparação, somente dois dias de conversa e compras de alimentos energéticos. A partida seria bem cedo pela manhã...



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domingo, 16 de novembro de 2008

Bridhe

Quando "o homem deixa de viver o tempo profano e desprovido de sentido, já que imita a um arquétipo divino".
Mircea Eliade

Em alguns momentos, quando o profano e o sagrado se encontram.

Em uma dança ritual, quando corpo e mente buscam reproduzir um estado de fluidez atemporal e os componentes não importam tanto, sendo apenas um ponto de partida para uma dimensão maior.

Quando o ser humano se presenteia inconscientemente com instantes de conhecimento puro através de "insights naturais" que todos temos ocasionalmente, é compreensível que um ou outro possa querer expandir este vislumbre de um modo consciente.

Uma mulher dança.

Ao ver um ser humano semelhante aos outros se destacar em um cenário múltiplo através de um certo atrevimento... pode ser considerado um atrevimento quando um decide por um momento estar acima dos costumes e fazer deste momento uma oportunidade para dançar de uma forma mais livre e solta? A pura energia, incentivada pelo prazer de movimentos espontâneos toma uma plataforma humana que deveria ser só o ponto inicial de uma amplitude sem limites.

Movimentos luminosos, que uma vez foram uma mulher, gesticulam no espaço e, sem inibições, escolhem alguém para compartir um pouco desta beleza incondicional. Aquele escolhido poderá ver a aparente solidez em uma pedra quando aí habita vibrante energia, ou pode reconhecer a elegante força desta mulher que se eleva a outro patamar por, neste instante, não revelar travas nem bloqueios; inércia e movimento dialogando e gerando uma estabilidade inteligente.

Alguns sobre este vislumbre, criarão uma religião para esta mulher epifânica. Outros não notarão a sua presença.

Outros ainda perceberão que a tal felicidade pode ser uma sabedoria proporcionada por uma mulher que em um determinado momento decide estar além do seu tempo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Dia das Bruxas








Dias das bruxas.
Um feriado tipicamente estadounidense e mais uma desculpa para uma festa com as mais divertidas fantasias em Arequipa.
Muitas meninas vestem umas asas, umas antenas e um vestido colorido. É para ser fantasia de fada ou de joaninha, não se sabe muito bem.
Muitos piratas e um Jack Sparrow.
Um mariachi e um Che Guevara.
Um cozinheiro louco e um palhaço. Muitos personagens que lotam o hostel Point.
A festa começa no hostel mas o legal é que ela se extende por toda a cidade. Quando vão todos para a rua a surpresa é ver toda a massa lotando cada praça de esquina a esquina.
Primeiro todos do Point vão visitar o Tomate, um local que trabalha pela manhã no hostel. No caso todos vão para o local onde ele trabalha pela noite- o Balde, uma discoteca que chama a atenção pelos grafittis estilosos na parede e pela boa música. A casa está lotada e após algumas horas vão todos para o Déjà Vu como sempre. Claro que a casa mais famosa de Arequipa estaria abarrotada mas não foi um impencílio para os pointianos que encontram um espaço na pista de dança. O DJ parece inspirado com o seu estilo peculiar de tocar 30 minutos de cada estilo musical. E parece que a maioria não se importa com os cortes abruptos de música eletrônica para salsa, desta para o reggae e assim adiante.

O sol já está nascendo e todos voltam para o hostel onde a festa continua. Pouco a pouco vão todos se acalmando e esparramando pelos puffs do TV room... ou decidem que é a hora da piscina.



segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mario Kart



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A pista negra e lisa. Algumas marcas de pneus dos tantos carros que deslizam para fora do circuito em uma curva mal feita.

Corrida de karts!

Uma ou duas vezes por semana o staff e os hóspedes do Point se juntam com a finalidade de competir e se divertir como se estivessem na Formula 1. Claro que os carros não vão tão rápido mas não é por isso menos divertido.

James é um verdadeiro especialista e dirige o carro de maneira quase impecável. É um desfio para os outros ganharem do inglês. É sempre engraçado ver um novato desavisado decidir acelerar em uma curva e com isso rodar no seu próprio eixo enquanto os outros carros o ultrapassam- ou batem gerando um verdadeiro amontoado de karts presos uns nos outros. Tem aquele espertalhão que não quer esperar a ajuda dos empregados cuja função é botar com os próprios braços os carros de volta na posição correta caso eles tenham rodado, no caso alguns pilotos decidem sair do carro e empurrar eles mesmos o carro até estar em posição... claro que quando aparece outro carro e atropela este imprudente ele pensará duas vezes antes de sair do kart em plena pista.

James vai a um passo além do kart. Decide "envenenar" o seu fusca e colocá-lo à prova em um lugar em uma competição local para este tipo de veículo. Destas corridas ele tira segundo lugar e depois consegue o primeiro, não dá para ser de outra forma.

Forever Today!






Uma música começa a se destacar na rotina do Point. No meio de diversos estilos musicais um rítimo acelera progressivamente mesmo em uma rotina pacata e se sobressai entre as diferentes manifestações da realidade.
Escute um rítimo eletrônico, de batidas constantes, escolha um trance, suave e poderoso.

A sensação de déjà vu já não existe mais quando o hoje parece repetir todos os dias.

O rítimo se fortalece e se impõe.

O hoje é marcado por pessoas novas, culturas tão diferentes umas das outras e ao mesmo tempo apresentando algumas inegáveis semelhanças.

Essa semana os melhores amigos e amigas são da Escócia, Inglaterra, Bélgica, Peru e Australia.

Quatro dias depois alguns se foram e novos melhores amigos aparecem da Holanda, Chile, Alemanha, França e Nova Zelândia.

Ao sentar para um desayuno com um novo amigo a conversa geralmente vai tão fluída como se todos se conhecessem não por 5 minutos mas por toda a vida.

Alguns gostam de vegimite no pão do café da manhã ( geralmente os australianos), outros preferem o marmite (geralmente os ingleses). Alguns gostam de doce de leite outros um pouquinho de manteiga. As geleias de fruta são aceitas por quase todos.

Argentina, México, Portugal, País de Gales...

Na hora de cozinhar o cozinheiro/a deve levar em conta que as especiarias, especialmente o picante, podem trazer um prazer indescritível para os que estão em trânsito. Sempre devem ser usados com cautela a não ser que haja um pedido entusiasmado por gostos mais fortes.

" De onde você é?" Ah que legal, eu estive por lá!"
"Onde você vai em seguida?"- perguntas que se repetem muitas vezes por dia neste fluxo eletrônico.
De batidas constantes,
cada vez mais fortes.

Alguém parece dizer que isso não é realidade, já disseram isso antes. Que tudo isso é ilusório e que as pessoas se comportam de maneira distinta quando estão de passagem.
Não importa.

Quando o rítimo acelera de forma consciente o conhecimento torna-se mais amplo e alegre.

Seja por uma descrição de uma peculiaridade natal de algum italiano, seja pelo beijo de uma charmosa sueca, seja pela manifestação do Flow em sentido pleno quando um indivíduo decide cozinhar o melhor prato da sua vida para milhares de pessoas que ao final parecem ser só uma.

O melhor é quando um desenvolve dons sociais valiosos senão fundamentais, percebendo melhor até que ponto uma pessoa termina e começa outra.

Quando se conhece intensamente uma pessoa e um grupo de pessoas durante uma semana e essa pessoa vai embora dando lugar a outra pessoa ou grupo de pessoas parece que fica claro, mais claro, as semelhancas\ diferenças entre todos nós.
E será que estas percepções estariam fadadas a serem nubladas no turbilhão de atividades do dia a dia da "Vida real"?

Um trance, sim, de olhos abertos. Um auto conhecimento proporcionado por pessoas em uma condição específica, que estão em uma situação mais social em que estão mais expostas as coisas que realmente importam, seus medos, fortalezas, afinal estão em um lugar novo com pessoas novas.

A euforia de um dia de festas as vezes dá lugar à lágrimas de saudades do lar natal e de pessoas familiares.

E ao se deparar com a origem de um medo
Não só entendeu a coragem
Mas a própria essência
como um todo.

E o rítimo está aí, firme e forte, inabalável.
Para os audazes que resolvem dançar.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ecos do passado recente.




Vallecito, Arequipa. Neste bairro calmo está o The Point hostel. Roberto descasca algumas batatas e corta algumas cenouras. Sua atenção neste presente é prazerosa. Após alguns poucos momentos solitários ele volta a estar com um nobre trabalho que ocupa boa parte do seu dia e está na presença constante de um staff companheiro.

Na sua mente ele recria o dia que chegou neste hostel:



Rob entra no Point pela primeira vez, nota a mesa de sinuca e o gramado com uma pequena piscina que atende três turistas ao mesmo tempo. Na mesa da recepção onde trabalha a Angie estão colados alguns cartoons bem expressivos. Rob observa como os desenhos parecem tomar vida por serem tão expressivos e divertidos.
O Reto aperece com uma espécie de coque no cabelo. Todos olham por onde ele passa.
A Ana é uma jovem loira da Alemanha que neste momento está trabalhando em varios setores do hostel, inclusive ela pode ser vista toda cheia de tinta pintando o muro do Point.




A Lou, outra peruana charmosa é a namorada do James, inglês, dono do hostel. Ela cuida que todos tenham um bom café da manhã com pão, manteiga, geleia, café, chá, leite e frutas peruanas.



Há uma cozinha para os hóspedes usarem e uma usada pela cozinheira Cyntia para fazer jantar para os hóspedes todos os dias. No segundo dia Rob já está se metendo na cozinha da Cyntia para ver se pode aprender alguma receita local. Quando se dá conta o jovem já está ajudando a cozinheira a fazer seus pratos.

No terceiro dia Roberto nota como o staff é buena onda. Parece que a impressão é recíproca pois neste dia ele já está sendo convidado para trabalhar na cozinha com a Cyntia.

Tudo vai naturalmente. Roberto feliza de cozinhar as alternativas sem carne do jantar do hostel. Cyntia, La Chef, troca figurinhas com Roberto The Cook. A primeira mostra alguns pratos peruanos como a Papa a la huancaina- batatas cozidas com um molho lacteo que pode ser bem picante. Por outro lado Roberto mostra para ela como usa suas especiarías favoritas.




Há um terraço e, no meio deste bairro chamado Vallecito, dá para ver o imponente vulcão Misti. Ao lado deste há outro vulcão ainda mais alto chamado Chachani de 6075m de altura ( Misti 5852m).

O Chachani possui um formato irregular enquanto o Misti exibe o formato vulcânico de cone clássico que, com sua beleza, serviria de inspiração nas práticas diárias no terraço do The Point Hostel.

...

Após recapitular como foram os últimos dias Roberto volta a focar sua atencão neste outro presente, nas batatas e cenouras do seu prato do dia. Devaneios com o passado, sejam eles técnicos ou nostálgicos serão cada vez menos comuns nesta viagem. O foco no presente é cada vez mais constante, especialmente neste ambiente estável.

As vezes se escutam alguns nostálgicos ecos do passado.


Mas eles são facilmente reconhecidos como- Ecos.

Ecos do passado distante.

Quando Roberto tinha 20 anos uma frase marcou a sua vida.

No seu Rio de Janeiro natal é comum que uma pequena parte da população mais favorecida tenha uma empregada doméstica. Roberto passou um ano nos Estados Unidos e voltou com uma percepção diferente das coisas, notou que não era comum entre os estadounidenses, exceto pelos bem ricos, ter uma empregada doméstica em casa. Neste sentido eles eram bem mais auto-suficientes.

No auge da sua ideologia utópica-adolescente Roberto vai almoçar com uma família que é como uma segunda família para ele. Ao ouvir os filhos e o Roberto discutirem essas ideias o pai da casa se manifesta com rigor e seriedade:"Não arruma nem a cama e quer mudar o mundo!" .

Simbolicamente o impacto foi tanto que o jovem Roberto começou a se esforçar mais para que outra pessoas não arrumassem a sua cama quando ele mesmo podia realizar esta tarefa ao acordar. Logo o mesmo aconteceu para a comida, começou a cozinhar para si próprio sempre que possível- tomando assim gosto pela culinária- e deste modo foi buscando mais auto-suficiência em todos os aspectos da sua vida.

E no caminhar da sua gloriosa vida Roberto percebia que o " arrumar a cama" significava ainda mais.
Significava também lidar com mais consciência sobre o plano emocional, o mais usado entre as pessoas.
Percebia que os seres humanos parecem lidar com o plano emocional de uma forma quase experimental, o plano racional raramente é utilizado embora muitos preferem pensar o oposto.
Parece que é possível influir positivamente sobre o mundo, mesmo sem entrar no campo das grandes transformações, revoluções, somente neste caso focando o plano pessoal.

Neste sentido o "arrumar a cama" adquire um sentido muito mais abrangente. Quando um ser humano escolhe ser feliz, ter mais energia, mais vitalidade, sentir mais... parece claro que este ser influenciará positivamente o ambiente ao seu redor.

O processo de aprendizagem é constante e cada passo, cada ação é uma oportunidade de praticar a sabedoria passada pelos mais experientes.

sábado, 13 de setembro de 2008

The Point Arequipa.



Um jovem inglês chamado Chris percorre o mundo com uma mochila nas costas e muita animação.
Após imprevistos no sul da Ásia e praias paradisíacas na america central ele parte para Lima, depois vai direto para Arequipa.
O seu destino, Hostel The Point.
Em suas viagens pelo mundo afora Chris conheceu muitos lugares interessantes mas, desde que chega neste hostel ele sente algo diferente.
O espaço é confortável, nem tão grande nem tão pequeno, um ambiente de intimidade entre os milhares de backpackers de todo o mundo que passam por ali.
Chris é um rapaz loiro e robusto, sua figura chama a atenção quando entra em uma das salas principais do hostel. Os hóspedes e o staff participam do Jenga, um jogo onde blocos de madeira são postos de tal maneira que criam uma estrutura bem equilibrada de mais ou menos um metro.

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O jogo consiste em cada um dos participantes tendo que tirar por vez um bloco da base e pôr no alto da estrutra. No início é bem fácil mas vai ficando mais difícil quando restam menos blocos de apoio.
Aquele que derrubar toda a estrutura tem que tomar uma dose de pisco...
Chris derruba todas na primeira vez que joga e quando vê já está rindo e entrosado com todos, entre eles um jovem brasileiro chamado Roberto que joga bem o Jenga, mas que em um momento de distração e animação derruba os blocos. Chris nota que ao invés do pisco Roberto discretamente toma uma dose de Sprite.


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O tempo passa e apesar do cansaço da viagem Chris quer sair com o pessoal do Point.
Está conversando com a Aine, uma irlandesa simpática, quando chega o Roberto, junto da australiana Bridhe, convocando todos à discoteca local- o Déjà Vu.

A convocação animada parece contagiar a todos pois partem uns 5 taxis do hostel.

A música do Déjà Vu é algo como peculiar, toca trinta minutos de rock, então muda para algo mais eletrônico e termina com reggae (?!?)
O grupo do Point não parece se importar com seus passos de dança mirabolantes. Em um momento mais calmo Cris se aproxima de Roberto e da Bridhe e nota que o brasileiro toma outro sprite.
- Dude how come you are not drinking? (Cara, como é que você não está tomando?)
- Eu estou tomando. - responde Roberto apontando para o Sprite.
- Sim, sim, eu quis dizer... eu vi você como um dos mais animados, imaginei que não seria possível sem alguns drinks.
Roberto sorri e aponta a Chris como se dissesse, "Ahá, viu só?"
Bridhe não se mostra surpresa com a conversa, parece se divertir com tudo isso.

Após este intervalo todos voltam a dançar.
A Aine dança mais discreta mas logo nota que alguns de seus conterrâneos preferem dispensar a sutileza e mergulham no piso como se deslizassem em manteiga.
Reto, um suíço, louco por opção, solta um break dance improvisado com uma sonora gargalhada.

Seis da manhã e todos voltam para o hostel.
Alguns poucos querem extender mais um pouco a noite e vão para o TV room
Chris tem seu merecido descanso sabendo que no próximo dia tudo começa mais uma vez.



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sábado, 6 de setembro de 2008

Arequipa.



I don´t remember when it all begun.
I have no idea where it will end.
I only knew feelings, sensations,
and so begun my journey.

( Cirque du Soleil, Journey Of Man)

Finalmente a Cidade Branca.
Arequipa, onde o jovem Roberto será posto à prova.
Terá finalmente uma rotina,
poderá exercitar a autotelia
e melhorar habilidades sociais com os milhares que conhecerá.
Terá claro como é a relação dos seus hábitos com os hábitos alheios.
Uma prova que já começa com vitória.
Só resta fazer da vitória algo comum.
Só resta usar esta racionalidade- experimental no bicho homem-e tentar usar palavras, traços e ruídos como fonte de comunicação.
Ou então na sua prática diária fazer uma referência ao seu sábio Mestre
que desenvolveu notável sutileza.

Em Arequipa o Universal e o particular se revelarão
em mais cores do que nunca.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ica Round 2

Olhe o deserto ao redor.
Olhe as dunas e as infinitas areias.
Escute a sinfonia, escolha uma.

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Chemical Brothers
Come Inside
Sinta a energia e as tolices da juventude
Sinta a adrenalina quando o estranho veículo quase realiza um ¨loop¨ na areia
Os que se atrevem no sandboard caem e rolam na areia.
Está claro que irão aprender esta técnica
em algum momento...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ica




Olhe o deserto ao redor.
Olhe as dunas e as infinitas areias.
Escute a sinfonia, escolha uma.

Johann Sebastian Bach.
(Bach-Werke-Verzeinchnis 1066)
Suíte em Dó Maior.

… e com essa trilha um texto de Fernando Pessoa:

Vive, dizes, no presente
Vive só no presente
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, nao o tempo que as mede
O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem
Eu quero só a realide, as cousas sem presente
Não quero incluir o tempo no meu esquema
Não quero pensar nas cousas como presentes, quero pensar nelas como cousas

Não quero separá-las de si próprias, tratando-as por presentes
...
Eu nem por reais devia tratar
Eu não devia tratar por nada.
...
Eu devia vê-las, apenas vê-las
vê-las até não pensar nelas
vê-las sem tempo nem espaço
ver podendo dispensar tudo menos o que se vê
É esta a ciência de ver, que não é nehuma.

Ani roze Lirot otach od peam.





Passar por Lima só porque está no caminho. Só para dar um beijo na Shir e levá-la para o cinema assistir um filme (é outra coisa boa das cidades grandes o fato de ser fácil encontrar um bom cinema).

O hostel desta vez é um focalizado para israelenses. Há algo interessante em estar em um lugar onde todos falam hebraico, e quando um desavisado israelense vem falar com alguém de outro país que por acaso se hospedou ali só resta a este último sorrir e tentar se comunicar em inglês ou espanhol- línguas que a maioria deles dominam apesar de serem bem diferentes do hebraico que eles usam originalmente.

Outra coisa evidente é o fato inegável que todos os israelenses que viajam, mesmo os que não se conhecem, fazem parte do mesmo grupo. É facilmente notável o poder gregário. As vezes chega um novo israelense e, após algumas palavras introdutórias, já está cozinhando junto dos outros ou fazendo alguma atividade em grupo. Não há muita necessidade de integração, todos já estão integrados.

A Shir segue para Huaraz, Roberto pega emprestado dois amigos dela e segue para as dunas de Ica.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Trujillo



Mais areia e mais mar.
Huanchaco é uma pequena cidade perto de Trujillo. É conhecida pelas ondas de larguras lendárias, mas nestes dias nublados parece que as ondas não estão lá grande coisa.
É o aniversário do Robs e, após conhecer centenas de pessoas, está neste momento sozinho.
A cidade está vazia nesta época, seria melhor passar o aniversário com pessoas queridas, mas se é para ser assim então é hora de escolher a melhor atividade local.
O sangue está puro e cheio de energia. Os hábitos positivos deste jovem já se fazem notar.
O surfe não está indicado nestas ondinhas. Há a tentativa mas está claro que o dia está para uma coisa nova: o tradicional barco de palha que usavam (e usam) os nativos de Huanchaco para pescar... e para surfar à moda antiga.
São grandes caiaques de palhas, pesados e difíceis de controlar.
O desafio está instalado quando Rob entra no mar com a embarcação. Para dificultar o remo era um bambú cortado ao meio em toda a sua extensão.
Após um início com dificuldades logo dá para fazer algumas manobras. Um desafio imprevisto em um dia pouco comum.

Pouco antes de partir de Huanchaco de volta a Lima Robs caminha pela orla ao entardecer e reconhece uma figura, é a Beata, uma das francesas companheiras de Macchu Pichu.
Os dois ficam dez minutos rindo bobos de se encontrarem assim por acaso. Meia hora com um café se mostra indispensável para botar as idéias em dia e matar a saudade.
Robs segue para o sul, Beata para a Amazônia.





Mapa

Mancora foi a última cidade em sentido norte.
Neste ponto o trajeto vai ao sul, até o extremo sul da Patagônia.
Antes vai percorrer a costa do Peru e do Chile...
Próxima parada Trujillo e Huanchaco.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Mancora






O sol brilha forte; esquenta a areia e o mar de Mancora, uma cidade de praia no norte do Peru, quase fronteira com o Equador.

É a cidade ideal para passar um par de dias, principalmente se você está vindo do sul do Peru em uma época onde o céu nublado predomina.

Ou se você cresceu perto da praia como é o caso do nosso amigo Rob Victor.


É interessante como o sol parece nos dar uma energia extra. Tempos como estes em que o mais certo a se fazer é sentir o quentinho da areia e perceber como não dá vontade de sair do mar depois do choque frio inicial.


Ah, o corpo salgado e uma divertida identificação com os animais marinhos.


Duas inglesas bem branquinhas com toda sua polidez britânica tentam entender o artesão meio hippie local, um garoto mais queimado e com trancas que tenta convencer as duas a comprar artesanias.

Robs se faz de tradutor ao princípio mas logo trata de aproveitar a praia na presença de um cachorro amigão de pelo branco e preto que fica tranquilo enquanto o carioca toca o seu tambor nas areias de Mancora.





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sábado, 16 de agosto de 2008

Flow



"Um mesmo se encontra em um estado estático até o ponto que se sente que quase não existe. Já experimentei isso uma ou outra vez. Minha mão parece desprovida de meu próprio ser e eu não tenho nada a ver com o que está acontecendo. Simplesmente fico sentado, em um estado de admiração, desconcertado. E tudo flui por si mesmo". (Mihaly Csikszentmyhalyi, " Play and Intrinsic Rewards").

Esta é uma descrição do estado de Fluxo ou Flow, sugerido por Csikszentmyhalyi, psicólogo da Universidade de Chicago. Um estado em que as capacidades estão maximizadas, onde se supera a si mesmo em alguma atividade escolhida. A maioria das pessoas já experimentou o Flow em algum momento de sua vida. Estar neste estágio ocasiona uma grande concentração e um prazer consequente de estar realizando o ato com todas as capacidades ampliadas. O simples pensar " Estou fazendo isso maravilhosamente bem" interrompe o Fluxo. Há uma perda da sensação de tempo e espaço. ( Daniel Goleman, Emotional Intelligence). As pessoas parecem se concetrar melhor quando as exigências são um pouco maiores que as habituais.

Seria algo entre o aborrecimento de estar fazendo algo demasiadamente fácil e a ansiedade de estar fazendo algo demasiadamente desafiante.

O fluxo desperta um interesse especial na possibilidade de criá-lo de forma consciente, um estado que cria uma sensação de felicidade derivada da plenitude.Nada disso é novidade, mas alguns realmente necessitam o respaldo da ciência. A experiência parece não ser suficiente.

"E enquanto alguém alcança um desempenho optimizado enquanto se encontra neste estado não se preocupa como está atuando nem pensa no êxito ou no fracasso. O que o motiva é o puro prazer do ato mesmo". Csikszentmyhalyi.
Um ato produzido por uma atividade escolhida. Pode ser uma partida de xadrez, uma obra de arte, um ato amoroso...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tóg É Bog É

(Tóg É Bog É= Take it easy em Gaélico)

Tempos reflexivos somente se vierem de mãos dadas com a mais pura atividade.
Assim diria Roberto ao observar a praia de um lado e de outro dois novos amigos da Irlanda que rolam Half-Pipe abaixo em um tipo de wrestling simulado.
Parece ser uma constante entre espécimes machos que quando se conhecem desde crianças fazem uso frequente desta espécie de luta mais ou menos amistosa que, não raro, deixa alguém machucado.
Na maioria das vezes todos acabam rindo mas ainda é bom escutar aquela voz da mãe que sempre avisa nessas ocasiões em que as crianças estão quebrando tudo na casa-
" Essas brincadeiras não dão certo!"

No hostel em Lima além dos irlandeses chegam alguns israelenses, entre eles a Shir cujo nome significa " canção" em hebraico.
Será possível que uma pessoa se torne mais interessante pelo seu nome?
A Shir é uma jovem que conserva uma meiguice atrevida apesar do seu passado recente, no exército de Israel.

" Sabe isso poderia realmente acontecer..." - diria a Shir em relação aos seus sonhos.

De isso é feita esta dimensão feita de estradas e hostels, de pessoas que ignoram sonhos, de pessoas que criam sonhos e de pessoas que criam planos.

Depois algumas delas chegam no seu destino e criam, realizam.

O plano de hoje é um banquete- Curto prazo.

Planos megalomaníacos vizando a plena felicidade e total auto conhecimento- Longo prazo.






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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Lima.

Grandes shopping centers lembram o Robert de que Lima é uma cidade grande.
Alguns bairros sao muito pobres mas o bairro de Miraflores, onde o rapaz está hospedado, exibe uma certa opulência da aristocracia local
É um grande contraste sair da selva e entrar em uma loja enorme com todo tipo de TVs, DVDs, câmeras, Ipods, home theaters e outros lançamentos do momento.

Ao voltar ao hostel uma caminhada até o deck da praia de Miraflores. Algumas ondas pequenas e longas trazem a lembrança de quando se aproveitava o nascer do sol do Rio surfando ( ou tentando surfar). Ao redor de Lima estão algumas das melhores praias para o surfe no Peru, mas não nesta época.

Aqui neste deck Rob percebe que está sozinho pela primeira vez nesta viagem. Lembra como tentou ao máximo evitar estar sozinho, introspectivo, exceto pelos momentos das práticas diárias.

Ele lembra da intenção desta viagem, explicitada em um dos primeiros textos deste relato de viagem:

E o que se pode esperar do novo desconhecido a frente?
Não se espera uma aventura, apesar do prazer em cada novo passo.
Não é uma procura por reclusão, esta pode ser encontrada qualquer dia, em qualquer lugar.

Tampouco se deseja a introversão... pelos mesmos motivos.
Mas se pode desenvolver o carinho, então aí está algo a ser feito.
Se posso desenvolver a ternura, então eu devo.
Com os diversos tipos que conhecer.
Rostos, emoções, razões, árvores e pedras.
Não é uma busca por um caminho.
Afinal eu já tenho o meu.
É como uma chance única.
De firmar o que já se sabe.
De se pôr a prova ao múltiplo.
De cada vez entender a si próprio, mesmo quando o tempo ao meu redor mudar.
E estabelecer contato com aqueles,
de semelhante sintonia.

Mas se o momento este agora, que é vivido tão intensamente, o trouxe até aqui, então melhor fazer bom uso dele.
Recarregar as baterias, fazer práticas intensas, estudar o quanto as habilidades sociais evoluíram, e assimilar esses últimos meses intensos... meses que poderiam ter sido muito bem somente um intenso segundo.

Na verdade uma pessoa não se sente só quando está em sintonia com tantas outras. Mesmo que à distância.

A mente se esvazia e acalma. Os próximos projetos e trabalhos se revelam pouco a pouco.

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domingo, 10 de agosto de 2008

À bientôt




A capital do Peru é a maior cidade de todas percorridas até então. Dá para notar claramente o rítimo das pessoas que é sensivelmente mais acelerado.

O hostel está vazio, os únicos rostos conhecidos são o da Alexandra, o da Audrey e da Alexandra loira.

Alguns dias agradáveis com a Alex, finalmente chega a hora das francesas voltarem para casa em Le Havre, perto de Paris.


Na despedida toca em algum lugar " Don´t get lost in heaven" do Gorillaz.

- Bem, você vai agora? - pergunta o Roberto.

- Sim. - responde a Alexandra.

- Nos veremos novamente, não?

- Claro.

- Não importa realmente. - diz Rob se distraindo com algumas nuvens que se movem rápidas com o vento. Alex dá uma risadinha e Rob volta a olhar para ela.

Um pequeno silêncio, nada de incômodo.

- De tudo até aqui o que você gosta mais? - pergunta a francesa.

- Eu gosto deste momento com você agora, poderia usá-lo, alargá-lo até o infinito.

- E quando eu me for?

- Humm, como é forte a sua lembrança. Acho que vou ter que criar outros momentos perfeitos e assim seguir em frente.

- Hehehe, não se perca no paraíso.

- OK.

- E até quando você vai seguir? - pergunta a Alex.

- Para sempre. Há uma diferença entre seguir em um caminho e buscar um caminho. Eu não estou buscando um, já tenho o meu. Mas há sempre espaço para melhorar.

- Alex sorri levemente, Robs continua.

- E quanta inspiração você proporciona. Como aquelas Deusas sacando o infinito dentro das limitações dos homens. E o faz quando sorri com os seus olhos.

Alex sorri com os olhos; Rob sorri de volta e continua.

- Por isso querida, essas palavras nunca serão ditas, elas não são necessárias.

Alex baixa a cabeça um pouco, logo ela se ergue e fita Robs nos olhos.


Um beijo e um abraço. E assim ela parte.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Piedras y arena.

Estradas e mais estradas.
Quando chega a hora de deixar Cusco o grande grupo que crescia desde o inicio se dissipa, cada um para um lado.
A lembrança de alguns maneirismos da Lilou faz o jovem Robert rir do deserto neste caminho para Lima.
Parece que se pode aprender a dosar a intensidade do apego com coisas e pessoas, até chegar a aproveitar o máximo de cada relação de uma forma sana.
Quando as pedras e areias do deserto ao redor tomam cores distintas,
providenciadas por memórias.
E quando essas memórias são só memórias.
Então está na hora de seguir em frente.

A Alex estará em Lima. O que haverá na capital do Peru?


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terça-feira, 22 de julho de 2008

Allá y Acá








Quando cada tempo tem uma função qual seria o objetivo deste tempo?
Roberto está em Cusco após Macchu Pichu mas também está em Buenos Aires e também no Rio de Janeiro.
Dizem que está certamente na Europa- Portugal, Espanha e França.
Como isso é possível?
Talvez não esteja em todos os lugares ao mesmo tempo.
Talvez ele não seja todos os lugares ao mesmo tempo.
Mas o pensamento é veloz.
Teleporta fagulhas brilhantes,
e transforma realidades.



quarta-feira, 9 de julho de 2008

No alto da montanha parte3









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No alto da montanha parte2






segunda-feira, 30 de junho de 2008

No alto da montanha parte1



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Quando tantas palavras são proferidas.
Idéias que são criadas e não aproveitadas.
Um outro momento na cidadela de pedra.
Lilou, Beata, Charo, Mario e a Carolina.

Uma centena de fotógrafos japoneses
Guias com definições sobre as ruínas
Definições divertidamente contraditórias.

Um playground sem palavras
A conexão com as meninas, com o ambiente e consigo próprio.

A aparição inesperada da Alex e das outras francesas.
A grama está mais verde.
A Llama sorri da Beata
Um playground sem palavras.

Nas veias e artérias destes seres
circula energia brilhante e palpável
Quando acabar em um segundo o devaneio que é esta viagem.
Muito a ser construido


Tanto que a cidadela de pedra será comparada
a um playground de crianças

segunda-feira, 16 de junho de 2008

La ruta secreta




Um dia inteiro passa, um dia com núvens que nublam a antiga montanha de Machu Picchu.
Ao final da tarde um jovem expectador observa as ruínas lá no alto.
O jovem vê como as núvens que cobrem Machu Picchu vão pouco a pouco se afastando e ele começa a montar um plano mental de como chegar até lá.
O sol se ergue com mais força que o habitual e esta imagem é interpretada como um sinal, ou simplesmente serve como pura inspiração. Não importa, o jovem parte para a cidadela de pedra.


Muitas facilidades no inicio com trilhas fáceis, abertas. Pois esta impressão não se mantém por muito tempo, já estando no alto da montanha o que vê é um trecho de mata selvagem pela frente. O jovem não titubeia e entra nesta trilha pouco amistosa.
As ruínas de Machu Picchu estão bem próximas e neste momento os mosquitos e insetos atacam fortes qualquer invasor que entre nesta mata desavisado. As mãos ajudam a tirar os galhos do caminho mas é inevitável que eles ofereçam resistência. Por enquanto é só uma trilha reta, no meio de grama, árvores e bichos.

As ruínas estão mais ao alto e a trilha está no seu fim, o único caminho é diretamente para o alto, em direção da cidade esquecida que parece cada vez mais convidar o jovem desbravador. É preciso escalar a parede de pedra, terra e plantas.

O jovem não vê mais nuvens, não vê mais mato, não vê mais nada, tudo o que sente é o sangue quente e a concentração total no ato da escalada. São mais de oito metros e não importa se nesta altura os buracos que servem de apoio são casas de cobra ou algo assim; uma queda seria desastrosa e qualquer coisa que sirva para agarrar e seguir subindo serve.
Mas não há a imagem mental da queda, só existe aquele momento. Mãos, cabeça, dedos, pedras e terras, tudo se torna um prazer quase inesperado para este momento. O jovem chega ao topo e olha ao redor com cuidado. O que se vê em frente são vestígios de núvens, e cobertos pelas mantas de névoas jazem enormes blocos de pedra, revestidos de musgo verde-bege.

Os blocos vão em sentido ascendente e não se vê o que está no topo deste que parece ser um antigo e esquecido caminho inca.

O jovem é pequeno neste cenário majestoso que vai se revelando a cada passo lento. O clima já está frio neste final de tarde, o sol está próximo de deixar o céu.

Cada bloco de pedra é como um degráu de uma antiga e gigante escada... cada passo é dado com cautela. O que seria tudo isso?
Ao chegar no último bloco a grande cidade se revela ante seus olhos maravilhados. Uma profunda inspiração como se aquela visão roubasse o seu ar. São casas de pedras muito bem conservadas no alto desta montanha. A superfície é irregular mas dá para ver claramente como esta cidade, era em seus tempos de gloria.
A emoção ainda é grande, as pedras lisas e quadradas que formam as casas podem ser observadas.
Não há mais ninguém ao redor, o eco é companheiro.
Alguns passos até a outra beirada da cidade e o melhor visual de todos: o paradisíaco vale ao redor. Dá para ver os rios, as planícies e os morros lá embaixo. Em frente montanhas verdes mais baixas sob um céu azul com algumas núvens.
Dá vontade de gritar com eco! Mas o jovem fecha os olhos e aproveita aquele momento único.

Todas as casas feitas com blocos pequenos ou médios de granito distribuídas em zonas específicas. Uma área que servia para o cultivo e outra urbana.
Dentre as construções algumas pedras tem uma importância maior. A pedra Intihuatana não revela de cara a sua função, ao que parece há uma ligação entre a pedra, o formato das montanhas e o movimento astronômico. O Templo del sol e as terraças de plantações.
Os tons de cinza das pedras e o verde da grama curta em toda a cidade.

Imagens inesquecíveis.

A sensação de que não há mais tempo termina quando o sol toca o horizonte. O jovem abre os olhos e percebe que tem que correr.
Se o caminho até ali foi desafiante imagine o mesmo caminho de volta, no escuro!
Ele começa a correr de volta, literalmente se jogando ao saltar os gigantes blocos de pedra que serviam de entrada. O trecho da escalada é feito rápido, deslizando pela parede, tentando se agarrar em alguma raíz sem muito sucesso. A queda não é muito forte, ele continua correndo entre a trilha fechada inicial. Os cortes não incomodam, já está quase totalmente escuro. Agora com pouca luz os galhos e insetos duplicam o gráu de incomodo. Não importa, há pouco tempo e agora ele corre dentro desta vegetação pouco amistosa; só cobre os olhos tentando evitar que eles se cortem e não parar de correr.

Já não há mais luz do sol e a trilha aberta finalmente é encontrada, agora é fácil, dá para ir de olhos fechados.
Mas os olhos vão abertos, as pupilas se ajustam 'a pouca luz.
Nesta trilha, entre árvores, cigarras e outros bichos, o que se escuta é um jovem descendo, caminhando agora devagar, rindo extasiado como se não acreditasse no que havia experienciado.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Aguas Calientes








Ao despertar a mesma rotina, a prática, o café da manhã com café, pão, abacate e bananas.
Um banho no revigorante rio ao lado do camping. O nome deste lugar é Aguas Calientes mas o rio é gelado... não tanto quanto as águas dos rios e lagos da Bolívia mas ainda assim gelado.
Ao se enxugar o faz no sol, fitando as montanhas ao redor. Agora com a luz do dia dá para ver a ponta das ruinas de Machu Picchu no topo das montanhas.
Alguns minutos em um quase transe com aquela imagem retida pela visão. Robs passa boa parte do dia por alí. Lilou e Beata vão comprar comida no centro da cidade e Roberto decide acompanhá-las.
Enquanto prepara o macarrão para os famintos da turma Robs pergunta para alguns locais sobre o caminho até Machu Picchu. Ao que parece o acesso é bem fácil, existe uma estrada de terra que zigue-zagueia montanha acima até chegar ao portão principal. Esta estrada foi feita para os confortáveis onibus de turismo, para os que querem pagar e não querem caminhar. Para os que não querem pagar ou para os que querem disfrutar a trilha a opção é subir por um caminho um pouco íngreme de uma hora mais ou menos.

Havia um outro caminho, um caminho para a cidadela que era tido como secreto mas que muitos locais conhecem, era um caminho perigoso, pela selva.
Depois do macarrão os jovens voltam para o ponto do camping em que podem ver a antiga cidade.
O silencio reina até que uma curiosa figura aparece: é um pequeno local carregando quatro enormes mochilas de camping nas costas.
Em questão de minutos aparecem vários outros como ele, alguns trazem equipamentos para acampar e começam a montar algumas barracas bem modernas. Robert e as meninas permanecem alí, parados, sem entender de onde vieram estes 20 peruanos que em menos de dez minutos preencheram o campo do camping com umas 20 barracas. Algumas são barracas-banheiros, algumas barracas-cozinhas, tudo muito profissional.
Mas para quem aqueles guias estavam carregando tanto peso e preparando tamanha comodidade? Eis que aparecem alguns turistas que, apesar de não carregarem nada, pareciam estar bem exaustos. Pareciam estar na faixa dos trinta e cinco anos e dá para notar a profunda satisfação no olhar de cada um deles ao ver o acampamento todo pronto para eles.
Após esta pequena distração Beata volta a brincar com uma das crianças. Robs encontra um pastor alemão que aparece e já se mostra bem brincalhão. Uma criança parece conhecer o cão e começa a rolar na grama com ele. Só não contava com um formigueiro no caminho...
O pequeno corre para o rio e a ultima coisa que a criança nota é a temperatura da água.

O final de tarde é marcado por Robs encarando as ruínas no alto da montanha. Ele toma um mate e Lilou está ao seu lado.
A tal trilha secreta deixa o jovem instigado.


Fotos by Beata Sitarek

terça-feira, 6 de maio de 2008

Road to Machu Picchu


Mochilas prontas.

Robs repassa os últimos detalhes com Theo, um jovem local que seria o nosso guia até Machu Picchu.

Seriam necessários tomar três transportes diferentes e depois andar duas horas numa estradinha sem luz. Aguas Calientes é o lugar onde montaríamos acampamento antes de subir até a antiga cidade inca. Os ânimos estão mais altos que o normal. Lilou vem compartindo um fone de ouvido com o Robert no ônibus. Mario e Carolina estão em duas poltronas atrás, Charo e Beata ao lado do casal do Chile e Theo bebe o que seria água...
Não são dez da manhã e este nosso guia começa a agir de modo agitado, falando coisas sem sentido em inglês e espanhol. Está claro o que está acontecendo e não restam dúvidas quando o Roberto cheira a garrafa de "água" e descobre que na verdade o nosso amigo está tomando pisco!



São algumas horas com este peruano sem controle, totalmente bêbado dentro do ônibus; os outros peruanos não lhe davam bola, realmente surpreendiam pela paciência.
Algumas coisas que o doido grita viram jargões em um futuro próximo. Em um momento ele pergunta algo para alguém no ônibus e quando escuta a resposta seu comentário é sempre o mesmo- "Bueno, és tu vida!" O nosso grupo não sabe se ri ou chora.



A coisa já está em um limite. Na primeira parada é hora de trocar de ônibus e seguir em um mini-bus. Há a tentativa de levar o Theo mas este começa a gritar dentro da van e por sorte alguns locais reconhecem sua figura e, na segunda parada, ficam com ele. Menos mal, eles diziam ser seus familiares.



Já sem guia é hora de seguir em frente. Depois da segunda van o grupo precisa seguir em frente por um caminho de trem no meio da floresta, os trilhos são a única referencia quando a única luz é a da lua e das estrelas.
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Todos que usam casacos agora estão só de camisa, alguns suando pelo peso das mochilas e o esforço extra que elas requerem. Dá para ver a diferença climática entre este ponto e o ponto de partida. Aqui é mais úmido com vegetação densa. Em alguns momentos um farol e um barulho característico da locomotiva que se aproxima rapidamente: "Trem!"- alguém grita e todos saem do caminho enquanto passa o poderoso veículo metálico levando alguma carga para Aguas Calientes em seus vagões traseiros.




Estão todos todos um pouco cansados mas ainda animados, mais ainda quando o terreno onde será o camping é avistado.Uma família simples nos recebe, um casal e das crianças, uma de colo. O marido, um senhor gordo, parece agitado, ele nos mostra onde se pode montar a barraca e tenta ser simpático. Alguém do nosso grupo repara o que o senhor tem na sua mão- uma garrafa de água...

Mais uma vez as suspeitas estavam certas pois quando o marido entrou na casa o que se ouve é uma discursão séria seguido de pratos e copos se quebrando. A esposa sai com um filho no colo enquanto a outra filha vem caminhando ao lado, estão todos chorando. A Beata segura a criança de colo e Roberto tenta acalma as mulheres ao mesmo tempo que observa se o louco vai sair da casa e tentar algo.Após o estado de alerta pouco a pouco tudo se acalma, o bêbado-pai parece que vai dormir e a família já está mais calma para voltar para casa."Tudo bem, isso é normal! Já vamos voltar para casa."Roberto deixa com uma certa relutância que eles voltem, não há muito o que fazer neste momento.

É tarde, numa noite misteriosa Robs está sentado observando a silhueta da montanha que circunda o acampamento; no topo dessa montanha está Machu Picchu e o jovem imagina como será o caminho até lá.Depois de montar a barraca todos saltam dentro dos seus sacos de dormir. Mario e Carol tinham uma barraca para eles enquanto Rob, Lilou, Beata e Charo dividem outra. Naquele frio é desnecessário dizer que todo mundo dorme bem juntinho.


quarta-feira, 23 de abril de 2008



Ao buscar ele estabelece movimento.
Ao estar satisfeito movimento e inércia se encontram.
Por escolha.

Uma volta ao passado- uma visão de terras bolivianas, no início de uma viagem.
Não sabia o que esperar, havia algo como medo.
"Cuidado, é perigoso! Vão te roubar, vao te matar!" Eles diziam.
E com extrema cautela um guarda documentos é esquecido em um ônibus, pura distração.
Documentos que demoraram meses para serem produzidos. Quantas filas não foram necessárias, quanta burocracia...
No final se perdeu tudo tudo em uma só tacada. Um ato tão surreal, tão inesperado.
Como iria seguir viagem sem nenhum dos seus documentos?
No meio de um possível furacão emocional o que ele faz? Ri.
Claro, o que mais poderia fazer?

Indo mais ao passado e uma criança aprende a dar os primeiros passos, em um gesto inesperado ele cai e bate de leve a cabeça;
ao ver a cara assustada dos pais ele dispara uma divertida gargalhada banguela.

Ao focar o presente um jovem se torna o catalisador de um grupo que vai a Machu Picchu.
Ao ver as loiras Lilou e a Beata arrumando suas malas enquanto conversam em francês ele sabe que fará uma boa viagem.

Em outro presente outra francesa, a Alex chega e ilumina Cusco com seus passos. Faz frio abaixo de zero nesta cidade e em outras do mundo... não neste café elegante próximo da Plaza de Armas.

Uma criança de rua vê o casal no ambiente confortável e, do lado de fora, tenta vender doces.
A Alex percebe a pequena e coloca em um dos dedos uma llama de pano feito para as crianças brincarem. A criança do lado de fora se encanta com o pequeno brinquedo e tenta entrar no estabelecimento.
Um atendente nota a pequena e tenta deter a infante mas tudo o que é preciso é uma piscadela da Alex para que ele deixasse a meninha ficar ali por um tempo.






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sábado, 19 de abril de 2008

Tempo das nossas vidas

A Alex, a Audrey e a Alex loira mandam notícias que estão chegando em Cusco.

Depois de muitas horas trabalhando na estação de trem e trazer alguns novos turistas para a casa Samanapata e após passear por algumas estruturas antigas é hora de assistir a um filme com a Lilou. Com toda sua imponência francesa ela bate o pé na hora de escolher o filme, tudo bem... Vale a pena ver como a seriedade dessa loira vai pouco a pouco se rendendo e pouco a pouco ver com ela já está bem confortável com o Roberto. Em momentos tranquilos.
E o que acontece...
Sabem aquelas obras de arte super simples mas que deixam bem claro para que vieram? Sabem aqueles que fazem das suas vidas obras de artes, esculpidas com carinho? Sabem quando respirar possui um aroma agradável? Uma música descompromissada de Paul Van Dyk, "Time of our lives".


There's a time for us to let go
there's a time for holding on
a time to speak, a time to listen
there's a time for us to grow

there's a time for laying low-down
there's a time for getting high
a time for peace, a time for fighting
a time to live, a time to die

a time to scream, a time for silence
a time for truth against the lies
a time for faith, a time for science
there's a time for us to shine

there is a time for explaining
there's a time to understand
a time for hurt, a time for healing
a time to run, to make a stand oh,

this is the time of our lives oh,
this is the time of our lives oh,
this is the time of our lives oh,
this is the time of our lives

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Há um tempo para deixar ir
Há um tempo para segurar um pouco
Um tempo para falar, um tempo para escutar
Há um tempo para nós crescermos.

Há um tempo para baixar a bola.
Há um tempo para se extasiar
Um tempo para paz, um tempo para lutar
Um tempo para viver, um tempo para morrer

Um tempo para gritar, um tempo para o silêncio
Um tempo para verdade contra as mentiras
Um tempo para a fé, um tempo para a ciência
Há um tempo para todos nós brilharmos

Há um tempo para explicar
Há um tempo para entender
Um tempo para a dor, um tempo para a cura
Um tempo para correr, para deixar a sua marca


Oh esse é o tempo das nossas vidas.

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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Dias en Cusco









Os dias em Cusco se revelam cheios de surpresas.
A cidade deve ser a mais linda desde o início da viagem com a sua arquitetura que é um show a parte. A imponente Plaza de Armas nos seus tons de marron e cinza é glorificada por grandes igrejas.
Ao adentrar na cidade dá para encontrar edifícios construídos a la maneira inca, com grandes blocos rochudos gerando uma simetria peculiar.
Os cuidados com os antigos prédios são grandes e um turista desavisado que tocar uma das antigas paredes de pedra pode tomar um susto quando um local aparecer do nada gritando," No toque la piedra!". Todo cuidado com a erosão parece ser pouco.

Não demora muito para conhecer a cidade e algumas ruínas próximas, dá até para brincar de guia com os amigos. Um passeio na cidade e não raro aparecem comentários do tipo " ...e esta igreja foi construída no século XVI pelos incas com os chicotes espanhóis nas suas costas; aquela águia representa a fertilidade..." Parece que todo mundo sabe um pouco da historia local, dá para aprender e se divertir ao mesmo tempo.

Um grupo novo e divertido no alojamiento Samanapata. Turistas de vários lugares do mundo chegam diariamente.
Os que se tornam mais íntimos são a Beata e a Lilou, duas francesas muito divertidas. A Charo está por aqui também mais um brasileiro, um belga e um casal do Chile, o Mario e a Carolina.

As paisagens incríveis desta cidade antiga não revelam de cara o que há para fazer além do procurado turismo histórico. É só ficar aqui alguns dias para que uma intensa vida noturna se revele inevitavelmente.

São algumas discotecas no perímetro da Plaza de Armas que durante o dia projetam DVDs em uma tela grande sem cobrar nada (claro que eles esperam que você consuma algo do restaurante). É um clima ideal para ir com a namorada comer uma torta ou tomar um café em um cinema quase particular após um passeio pelas ruínas da cidade.
E pela noite começa a festa. Depois de algum tempo na selva é bom poder balançar o esqueleto junto das dezenas de pessoas de todo o mundo...



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quinta-feira, 27 de março de 2008

Lendas incas.



O bus chega em Cusco quatro da manhã; o motorista deixa os estrangeiros dormirem em suas poltronas até as seis.

Seis horas em ponto e quem nos acorda é uma senhora dona de um pequeno hostel, ela nos acorda oferecendo o seu alojamiento com preços convidativos.

O local em questão se chama Samanapata e se revela bem confortável. Alguns rostos familiares que estavam na Bolívia também estão hospedados nesta casa...

Só que a questão finananceira é mais importante neste momento. É preciso encontrar alguma forma de trabalho, pelo menos por alguns dias até voltar a ter a possibilidade de acessar o dinheiro juntado no Brasil. O cenário estava bem claro: ou encontrava um trabalho ou passava fome nos próximos dias.
Na Bolívia houve a tentativa de trabalhar no restaurante Hindu-Boliviano. Aqui não há espaço para "talvez se aparecer algo". Quando na mente não há nem a possibilidade de um "não" o resultado é, certamente, positivo!
Deste modo ainda no primeiro dia em Cusco o primeiro trabalho é oferecido, um trabalho que consistia de trazer turistas para se hospedarem no alojamiento. A cada quatro turistas ficando uma noite o jovem Robert ganharia uma noite grátis com café da manha, almoço e jantar.

A estação de trem local é o melhor local para a captção destes turistas e lá estão todos os taxistas esperando levar potenciais hospedes para algum hostel e ganhar comissão com isso. Todos olham com uma certa hostilidade quando chega este forasteiro brasileiro com flyers nas mãos.
Mas o jovem Roberto não se deixa intimidar e mantém a postura ereta e confiante, um misto de humildade e convicção que este outsider também merecia algumas migalhas deste pão.
Na verdade o trabalho não se mostra difícil, quando os primeiros casais de turistas saem pelos portões da estação eles vão com os taxistas que se aproximam de uma forma totalmente despreparada, quase grosseira. Outro fator determinante era o fato de que eles falam em espanhol e muitos dos turistas não falam esta língua. É só uma questão de tempo, o Roberto fica mais afastado da multidão e percebe quando um grupo de dez checos que não se entusiasmam com as ofertas dos taxistas se distanciam; em um perfeito timing o brasileiro se aproxima, os checos olham seus flyers e suas propostas. Os dez se animam e vão com ele para a hospedagem Samanapata.

Para explicar melhor a sensação do momento em que o brasileiro leva os turistas para a hospedagem é preciso recorrer a um filme que este mesmo brasileiro assistia com uma namorada do passado: " Lendas da paixão".
No filme há uma parte em que o personagem de Brad Pitt fica meio louco e vai embora da fazenda em que vivia. Mais para o final do filme ele reaparece triunfante trazendo consigo vários cavalos. Os seus amigos e parentes notam que é ele que retorna e sorriem de felicidade ao mesmo tempo que gritam " abram os portões!". Os cavalos entram na propriedade e Brad Pitt é a cara do triunfo.

Em Cusco o Roberto salta de um dos taxis dizendo alto "abran las puertas!".
Quando os donos da hospedagem abrem as portas os 10 checos entram e enchem a pequena recepção do hostel... os donos do local olham impressionados.

A primeira noite de trabalho se mostra um sucesso absoluto.

No final das contas os dez checos ficam várias noites e como consequência este brasileiro não precisa mais se preocupar com habitação e comida por mais de uma semana. Nos próximos dias ele voltaria para a estação de trem e traria vários outros hóspedes, desta vez não mais por necessidade, mais como retribuição.

Esta noite ele dorme tranquilo, sabe que fez bem um trabalho.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Ruinas en el porvenir




Ao partir da Isla del Sol e de Copacabana é hora de cruzar mais uma fronteira internacional.
Desta vez é o Peru, terra onde a antiga presença dos Incas no auge da sua civilização se mostrou mais presente.
Toda uma cultura devastada por outra cultura dominante, um massacre com precedentes históricos.
No meio desse background uma beleza natural de verde húmido no meio das ruínas dos antigos edifícios de pedra.

O onibus leva direto a Cusco, uma das maiores cidades do Peru e base para as viagens à mítica Machu Picchu.
Um momento de incerteza quando este Robert está sem seus documentos e sem seus cartões de créditos ( eles se perderam na Bolívia).
Nao há como retirar o dinheiro juntado para a viagem e pelos próximos dias não há ninguém para enviar o dinheiro por algum Western Union.
E assim, aqui no meio desta cidade do Peru é chegado o momento de improvisar.

Sol Invictus

Ao acordar a energia está mais revitalizada do que nunca!
Mais uma prática inesquecível e um café da manha com pão feito na hora- farinha, água e sal, numa panela ao fogo da lenha provida pelas árvores de eucalipto.
Um mate, abacates e bananas, nao dá para ser muito melhor!
Ainda é manha e o tempo realmente parece não passar.
O que vem a mente são as histórias proferidas pelos professores, histórias sobre os antigos povos do campo. Uma vida sempre assim, lenta, onde os atos são mais medidos... se fala menos, se pensa menos.

Os pés deste Robert pisam na água geladíssima do Titicaca, pouco a pouco todo o corpo afunda no lago congelante. Os pulmões parecem fechar e cada parte da pele parece estar ultra- sensível. Do lado de fora a Johanne acompanha a s caretas deste rapaz que não resiste e volta para a margem para a ficar ao sol perto dela.
Uma experiência intensa, só que um banho quentinho seria mais interesante.
A Johanne entre outras coisas promete o melhor apfelstrudel quando for visitada na Alemanha


e

Já não há mais frio.

sábado, 1 de março de 2008





Do alto Calvário em Copacabana Rob, Johanne, Lorena e Silvina observam como tudo é pequeno visto do alto. Algumas ilhas podem ser avistadas e todos decidem passar alguns dias na Isla del Sol. A Alex tomou outro rumo com as francesas. Desta vez ela não estará presente.

Ao encontrar o velho señor Mathias, um barqueiro de cara larga e simpática o transporte é garantido. O passeio de barco dura aproximadamente umas duas horas pelo grande lago.





A Ilha do Sol é uma ilha pequena com alguma estrutura turística no topo de um morro. Porém o grupo que salta do barco fica na parte baixa da Ilha, em um pequeno terreno sem banheiro, cozinha ou nenhum dos confortos básicos. Só uma área para botar a barraca e uns quartinhos rústicos.

Na companhia de um artesão argentino começamos a buscar folhas e galhos de eucalipto para poder acender o fogo para o almoço. Depois de um mate uma prática incrível; o tempo parece não passar na Ilha do sol, horas parecem dias. Durante a noite o céu mais estrelado de todos os tempos e todos se aquecem perto da fogueira tocando tambor e cantando até dar vontade de dormir.



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A Alex reaparece e rouba a atenção dada ao por do sol. De suas mãos partem pedras que quicam sobre a água do Titicaca até afundarem.

A Alex e o Roberto são agora duas crianças crescidas que com sorrisos brincalhões moldam a realidade próxima como se fosse uma massinha. Sentem tranquilos também que a realidade como um Todo não pode ser mudada. Mas que a influência de uma pessoa que está conectada a este Todo pode ser sentida, a influência mesmo quando pequena pode ser notada.

A Alex revela seu caráter não-crente uma característica cada vez mais comum nos jovens de hoje em dia. Ela observa como a pedra inevitavelmente afunda na água após ser arremessada, desta forma a francesa descreve para si mesmo como serão seus próximos passos... de um modo bem pragmático, sem muitos rodeios.

Durante a noite a atenção volta para um saxofonista com barba longa, cultivada durante anos.Um solo longo e desconcertante provido do sax dourado. Todos no pequeno e confortável restaurante apreciam a atuação. Quanta intensidade, quanto sentimento. As veias saltam na testa e no pescoço do saxofonista enquanto sua face toma um tom rubro durante a conclusão do solo.O que segue são aplausos entusiasmados de um público privilegiado.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008




E como cortesia a realidade presenteia
com um vislumbre do seu todo
Ah! mas aqueles que tiveram o privilégio
mesmo sabendo que
quando todos são privilegiados
o especial deixa de ser
E quando não há mais escolha
não mais se olha
não mais se vê.

O caminho para Copacabana, como habitual, é realizado em uma estrada com trechos precários. Mesmo depois de percorrer estes caminhos por um tempo há uma atenção na forma como o motorista conduz o veículo.

Uma garrafa, aparentemente com água, na mão do condutor pode estar na verdade com Pisco, a aguardente local. É sempre bom ficar de olho. Ninguém quer um motorista bêbado dirigindo por uma estrada que parece uma montanha russa.

Ao chegar na cidade o que se vê é um lugar pequeno, porém charmoso. Uma praça principal com uma enorme igreja do século XVI. Algumas ruas com restaurantes turísticos, o lindo e famoso lago Titicaca, o maior lago em grande altura do mundo. Não há muito mais por aqui. Mesmo assim é uma cidadezinha confortável, para ficar uns dois dias. Na cia. da Lorena, da Silvina e da Johanne um hostel bem em frente à igreja é encontrado. O dono é um senhor rústico que mostra o quarto sem falar muito. O filho é uma criança com um engraçado sorriso banguela. A diversão favorita do pimpolho era se agarrar nos braços dos hóspedes e dançar ( as vezes com um amiguinho) de uma forma bem peculiar. Uma volta ao redor da cidade e já é hora de dormir.






segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Hora de deixar La Paz.
A Charo vai para Copacabana, Bolívia em outro momento. Duas outras argentinas, a Lorena, a Silvina, mas a Johanne da Alemanha formam um grupo novo que parte para esta pequena cidade entre a Bolívia e o Peru. As francesas já estão lá.
Em La Paz a sensação é que dificilmente se encontra um grupo tão eclético como o da hospedaje El Carretero. A despedida é realizada em uma manhã típica, com violões, tambores, mate e galletas ( biscoitos).
Há algum lugar no mundo que se possa comparar com esta cidade? Talvez Delhi... não, não chega a tanto. Mesmo assim 9 em cada 10 turistas jovens saem fascinados da cidade. E ninguém sabe exatamente o porquê.
Parece que é pelo fato de ser uma capital que não absorveu muito da cultura ocidental atual. Talvez por ser pobre e não ser fácil encontrar um McDonalds, ou shopping centers a cada esquina. Ou é pelo fato de ser tudo tão barato. Um hostel pode sair por U$2 por dia e a comida a U$1 com entrada, prato principal e sobremesa.

O fato inegavel é que se pode encontrar alguns paraísos no meio de tanta bagunça. E as pessoas que visitam a cidade percebem logo este detalhe...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Death Road



A famosa Ruta de La Muerte, ou Death Road, a estrada mais perigosa do mundo.

Depois de averiguar um pouco fica claro que o perigo não é tanto assim. Algumas estradas da Bolívia percorridas de onibus são bem mais assustadoras.

De qualquer forma essa é uma aventura famosa, descer a famosa estrada entre La Paz e Coroico numa descida de 3.300 metros numa mountain bike.
A Alex e a Audrey vão direto para Copacabana, Bolívia encontrar com a outra Alexandra. A Moma seguiu definitivamente por outro caminho. As quatro francesas são agora três.
Por outro lado este Robert se prepara para a jornada.


Pela manha todos são apresentados, o guia, o motorista de uma van que vem atrás caso aconteça alguma coisa e os outros bikers, um espanhol e uma escocesa.

A manha está linda, ao menos nas 4633m de altitude que é a altura de onde saem todos.
O sol que recém saiu no horizonte não tem muita força e o frio predomina. Uma jaqueta especial é dada para cada um, junto com um capacete e luvas.
Todos estão animados e após algumas poucas instruções do guia ( do tipo "nunca me ultrapassem") todos se colocam na posição de largada.

E assim tem início a pedalada. Na verdade no início é uma estrada íngreme então é só deixar a bike ir solta ladeira abaixo. Nesta parte nao há necessidade de usar o freio nem de pedalar, só deixar ir.

Com o sol fraco da manha proporcionando um laranja especial no céu mais as montanhas com algumas nuvens no fundo competem com a eufórica sensação de deixar a bike ir quase por conta própria em alta velocidade na estrada pavimentada.

Logo, porém as coisas mudam radicalmente. quando todos deixam a estrada pavimentada e entram na parte de estrada de terra.
Para criar um clima ainda mais cinematográfico uma forte neblina cobre a entrada para esta nova parte da rota.


E ao cruzar o nevoeiro o que se revela é ainda mais intenso. Uma estrada não pavimentada com a selva amazonica mostrando toda sua exuberância num clima meio chuvoso. As estradas são relativamente amplas, tirando algumas partes em que são realmente estreitas e perigosas. Uma queda montanha abaixo aqui seria certamente fatal como já aconteceu algumas vezes, e daí veio o nome da estrada.


Dá para ir devagar, usando o freio sempre, mas as vezes é melhor acelerar um pouco para que a bike tenha estabilidade. O guia vai voando na frente, ele conhece o caminho e pode fazer o trecho de olhos fechados. Mas conforme se ganha confiança a vontade é de acelerar mais e acompanhar o guia. Neste momento a viagem se torna realmente emocionante e por um milagre não se cai quando um pedregulho enorme no caminho não é visto. Os músculos dos braços se contraem tensos e toda a atenção é voltada para que a bike não caia e se estabilize. Ao parar um pouco após a quase queda o coração está acelerado e a adrenalina corre solta.


Ao final da viagem após algumas horas os músculos do corpo podem estar exaustos após os momentos mais tensos.

Em compensação um farto almoço espera a todos em um hotel em Coroico com direito a piscina.





De volta a La Paz

Um corpo forte nutrido por alimentos cheios de energia.
A vitalidade correndo livre pelo corpo. O cultivo de boas emoções, de modo natural e espontâneo.
Quem se aproxima desta atmosfera não permanece inalterado. No mínimo a curiosidade é despertada.
E quando aqueles nesta mesma sintonia se encontram o que se produz é algo notável.
De volta em La Paz faíscas são criadas.
Quem entende o processo de produzir faíscas consegue criar o fogo?

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

La Gruta de San Pedro






Em Sorata uma das principais opções para os visitantes é uma conhecida caverna conhecida como La Gruta de San Pedro.
Roberto, Alex e Audrey decidem ir visitá-la.
É um caminho mais ou menos longo, o mais recomendável é tomar carona com algum carro ou caminhão que passa pelo caminho.
Mas ao deslumbrar as montanhas incríveis ao redor fica claro que a melhor forma é mesmo a velha caminhada.
A Alex traz o seu MP3 player. Ela apresenta a sua música oferecendo ao Roberto algumas canções que acompanhariam o jovem por toda a viagem.
Serge Gainsbourgh, Nouvelle Vague, Noir Desir, Lebanese Underground são alguns dos compositores/ grupos cujas melodias iluminam a terra e o céu de Sorata.

Na entrada da caverna há uma bilheteria. Dá para ver que mesmo aqui onde não passa muita gente alguém já pensou na forma de ganhar um dinheiro extra.

Antes de entrar, enquanto todos aproveitam a linda selva do alto de uma pedra, resolve aparecer Albert, el Perro. Um cão de raça sem dono (isso é muito comum na Bolivia e no Peru) que vem se aproximando com olhos de "pidão".
As meninas se compadecem. Albert ganha alguns biscoitos de água e sal ( Pobre! Mas a julgar parece que ele comeria até pedras se lhe fossem dadas).

A entrada da caverna, um pouco estreita, logo revela um interior largo e amplo. Há umidade e eco.
Logo no início há um lago. Um senhor cobra pelo uso do barco pedalinho ( mais uma cobrança, esse passeio já está ficando caro). Após alguma hesitação se paga pelo transporte que levaria os 3 turistas ao outro lado da lagoa e da caverna.

Alex toma a dianteira e se mostra uma excelente condutora de pedalinhos.
O lago parece limpo mas como está escuro não se vê muito...
Ao chegar na outra margem o trajeto é novamente a pé. Pouco a pouco a caverna vai se revelando estreita e claustrofóbica lembrando as minas de Potosí.

Do lado de fora o ar puro e frio traz imediata renovação para aqueles que deixam a caverna.

E Albert, o cão sem dono já havia partido...





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LLamas!

As llamas estão em todas as partes na Bolivia.
Perto da hospedagem em Sorata a Audrey encontrou alguns destes animais
peculiares.
Não são cavalos, não são ovelhas, são llamas!
A partir do seu pelo se produzem todos os tipos de casacos, gorros,
meias, luvas... pantufas.
Após ser convencida que era seguro a Audrey resolve se aproximar e
estabelecer contato com uma llama que já era uma senhora de idade.
A Audrey se aproxima com medo; não de um coice ou uma mordida, mas do
temível e famoso "cuspe da llama"!
Após a tentativa frustrada de aproximação fica claro que a dona llama
não quer saber de brincadeira.

Nem aceita a fruta que lhe é ofertada de presente...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Sorata






Quando a sensibilidade está maximizada.
Quando se possui contentamento.
Quando não se vai contra os processos da vida.
A perfeição é uma escolha.

Em Sorata novamente entre amigos.

Ao amanhecer um passeio no Rio, nesta pequena cidade no meio da selva.

Na companhia da Alex Meunier um nascer do sol, sob montanhas com neve no cume.
A água gelada é sentida plenamente pelo tato de pés descalços.
O tempo muda.
Torna-se infinito.
Dois sorrisos serenos e não mais necessidade de sentido.

As cebolas douram e logo se juntam ás lentilhas. Os vegetais tem o seu cheiro mesclado com o próprio olor do cominho e da nós moscada utilizados no seu preparo.

Ao degustar o prato sob a vista inesquecível das montanhas ao redor...
o que poderia ser diferente?

A ducha fria não incomoda.
Quando olhos verdes te miram e te dizem tudo sobre tu mesmo.

Quando a realidade é mais que uma emoção.
Se pode aproveitar ao máximo esta emoção,
e quando esta emoção mudar ( inevitavelmente),
a realidade permanece a mesma.

Momentos de poder!



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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Wilson, el mono.

Um mico com trajes coloridos anda tranquilo dentro da área da Casa Reggae, uma hospedagem simples porém bastante confortável no coração de Sorata.
Saltos altos e precisos, Wilson, como se chama o primata, pula e corre quando algo desperta o seu interesse. No caso a novidade é a chegada de alguns novos turistas 'a hospedagem.
Um brasileiro e 3 francesas (as duas Alexandras e a Audrey... a Moma foi para outro lugar sozinha).
Todos chegam e encontram a Charo a Gui e o Fran, os amigos argentinos que já estavam na hospedagem.
O ar fresco de Sorata é revigorante, uma sensação tranquila ao chegar nesta cidade perto de La Paz, bem no meio da selva.

Wilson, O mico, observa tudo e prepara uma travessura.

Quando se esquenta a água para o mate Rosamonte legítimo o pequeno peludo salta e rouba a bombilla- o canudo de metal pelo qual se toma o mate.
Todos vão atrás do pequeno larápio, mas Wilson conhece bem o terreno e salta entre mesas, galhos e pit bulls que dormem impertubáveis.

No fim ele se cansa. Junta-se ao grupo devolvendo o o artefato.
Todos aproveitam esse momento em que nuvens nadam entre as montanhas formando um por do sol singular.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O retorno e avante.






"Sleeping is giving in, no matter what the time is. Sleeping is giving in, so lift those heavy eyelids.
Everytime you close your eyes lies, lies! "
Arcade Fire- Rebellion.

De volta a La Paz com uma nova energia de Chacaltana.
Há um padrão de como as coisas vão acontecendo e ele pode ser percebido mais claramente.
Grupos de seres humanos na sua maioria jovens.
Uma inegável sensação de que as coisas estão sendo feitas como deveriam.
Aqui o que se percebe é a presença e a influencia de um sentimento específico. Não importa o agente da emoção, não importa quem iniciou a contagiante onda.
O que importa é que o aglutinador deste grupo é uma eufórica sensação de simplicidade.
Através de música e de jantares geniais estes jovens já não são tão diferentes uns dos outros. Todos se comunicam através de um palpável plano emocional.

E ao comer um rotineiro chocolate na Plazza Murillo com a Charo e o Peter parece ficar mais claro qual foi a novidade inspirada pelos olhos da Alex.

Uma perfeição que parece se revelar mais cultivável do que nunca. Nada da perfeição socrática, ideal, impossível neste mundo.

Momentos perfeitos. Perfeitos porque assim se querem.

Batidas de tambor. O rítmo desperta um sorriso e algo além de um sorriso.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Chacaltana









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Quando tudo está calmo uma novidade.

Quatro francesas que aparecem e chamam a atenção. Na verdade elas estavam no mesmo hostel em Potosí em que o jovem Roberto se hospedava mas naquela ocasião tinham todos amigos diferentes. Em La Paz, neste alojamiento com pessoas tão distintas, elas não passam despercebidas.

Duas Alexandras, a Audrey e a Moma.


A Audrey faz rir desde o início com suas francesices. A Moma parece estar um pouco deslocada do grupo. Das Alexandras uma é loira e fala pouco inglês ou espanhol, a comunicação era basicamente por mímicas. A outra era a Alex Meunier e desde o início fica claro que o contato com ela resultaria em algo especial. E logo aparece a oportunidade para uma aproximação, quando as francesas decidem ir até a montanha Chacaltana perto de La Paz.

Desde o início fica claro que toda sutileza seria necessária.
O grupo de cinco mais o motorista contratado parte para o seu objetivo. O cenário muda pouco a pouco, a urbes descontrolada de La Paz cede lugar a uma estrada arenosa com montanhas em tons de marrom.
A amplitude do horizonte é o que prevalece quanto mais se avança. Alguns trechos exigem perícia do motorista mas ele parece estar acostumado com as partes estreitas da estrada e com os precipícios de algumas centenas de metros.
Antes do cume há uma cabana, um ponto ideal para tomar um café ou um chá quente.
Os olhos verdes da Alex Meunier chamam a atenção, não só pela beleza mas pela intensidade.
Neste momento em que uma comunicação não verbal é tão apreciada é no mínimo fascinante ver uma pessoa que fala tanto com o olhar.
Ao redor uma vastidão quase infinita. Cores e formas parecem se fundir. O céu azul com algumas nuvens, o verde- marrom do altiplano ao redor e agora o novo branco da neve que se mostra cada vez mais presente conforme se avança.
Aqui já são mais de cinco mil metros. Não é só cautela que se mostra necessária, cada passo deve ser lento, sempre com respeito a esta nova altitude.
Cada um ao seu tempo chega ao cume...
A vista é incrível, há uma sensação de vitoria e de serenidade compartilhada por todos.
A Alex Meunier está sentada em uma pedra e fecha os olhos para melhor aproveitar o ar puro (mesmo com menos oxigenio) e sentir o vento frio em seu rosto.
Logo todos se juntam para, entre risadas, tirar fotos e fazer videos. Algo novo está acontecendo, algo novo.
O contato e a aproximação com estas francesas, especialmente com uma delas, traz um novo tipo de inspiração.


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quinta-feira, 18 de outubro de 2007


... e realmente algo iria mudar, e não era somente o ambiente ao redor.

Ta Panta RI

Ao lado de um mini- cinema na Plaza Murillo está um restaurante Hindu, bem é um local com fotos de deuses hindus e com alguns pratos daquele país, porém a pimenta era uma velha conhecida local- a Llajua boliviana.
Uma boa pedida é derramar a Llajua sobre os vegetais que são oferecidos inicialmente e depois despejar a combinação sobre a sopa que vem em seguida. Quando chegar o prato principal você certamente estará satisfeito.
Muitos passavam por ali e quando não cozinhávamos este era o local para o almoço.
A ΣΟΦΙΑ da Grécia aproveita um momento após uma farta refeição para nos divertir com um jogo que deveríamos descobrir como era a palavra grega relativa 'a palavra em espanhol como por exemplo:
Água= hydros, cuatro= tetra e assim por diante.
Como em outros momentos a impressão que fica é que as línguas não são tão diferentes.
Em algum momento a ΣΟΦΙΑ menciona uma expressão a la Heráclito- Ta Panta RI -Todo Cambia- Tudo muda.
Um silencio suave em La Paz. Como sobremesa um chocolate na Plaza Murillo onde crianças jogam milhos para infinitos pombos.

Em algum lugar do mundo alguém escuta " Go with the Flow." do Queens of Stone Age...
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Após tantos estímulos olfativos, sonoros e visuais na praça ao lado da igreja San Francisco um caminhante irá reparar inevitavelmente que jovens vestidos de zebras tentam organizar a bagunça que é o transito neste centro de cidade.
No início da avenida principal uma passarela está sendo construída, por enquanto os pedestres atravessam como podem para chegar no mercado da praça. Netse ponto se misturam caminhantes apressados entre várias barraquinhas que vendem produtos industrializados como sabonetes, pastas de dente, shampoos e coisas do tipo.
No meio do tumulto algumas pessoas se amontoam para escutar um homem local que claramente possui um talento oratório. Os discursos, na maioria políticos prendem a atenção de todos.
Um pouco longe dali, no alojamiento El Carretero o clima é mais ameno. Uma jovem universitária da Grécia chamada ΣΟΦΙΑ ΠΑΠΑΔΟΠΟΥΛΟΥ observa os artesanos meio hippies que estao hospedados no mesmo alojamiento que ela. A jovem observa os colares, pulseiras e similares sendo produzidos com cuidado, algumas destas artesanias revelam formas bem complexas, talvez influenciadas pela própria Bolívia.
No por do sol todos se reúnem em um mirador para ver a cidade de um ponto privilegiado. Montanhas rodeiam casa e edifícios... em uma altura que não passa despercebida pelo organismo humano.



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terça-feira, 2 de outubro de 2007

...e um poeta favorito, Fernando Pessoa, escreveu:

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Todos satisfeitos.
Uma hora depois de uma refeição, uma fruta.
Uma maçã verde, ou uma mandarina.
As frutas, doces e deliciosas fazem parte da rotina.
Tornam tudo mais prazeroso.
Proporcionam a proximidade à uma perfeição, que era lapidada antes, agora, e será melhor explorada depois...
Uma menina em outra ocasião carinhosa aproveitou a intimidade para disparar:
"Isto tudo não é real, você não é real!"
Em parte ela estava certa, mas como resposta ela teve uma mirada profunda. Palavras aqui seriam desnecessárias, ficaram entre um pensamento:
"Se é assim melhor aproveitar!"
Afinal há um trabalho sendo realizado, e isso é parte do trabalho.
A Martina sabe fazer rir.
Neste terraço em plana cidade de La Paz quantas estrelas podiam ser vistas.
E ao inventar novos jogos cada um relembrava as pessoas que passaram por suas vidas.
Sem muita nostalgia do que passou, mais com alegria do que a lembrança proporciona.
Quantas pessoas já cruzaram o caminho, gente de todos os continentes, com todo o tipo de história.
O dia amanhece a Martina segue viagem. Vai direto para Cusco.
Em La Paz é só mais um dia normal.
Por aqui não se nota a presença de redes de fast-food, shopping centers ou coisas desse tipo. Só um ou outro estabelecimento deste tipo espalhados pela cidade. O melhor aqui é se aventurar na bagunça, ir a um mercado ( no caso aqui o Mercado Central) e tentar descobrir alguma especiaria desconhecida.
Depois de comprar vários legumes, um pouco de arroz, e algumas pimentas exóticas chega a hora de voltar ao hostel e encontrar os loucos famintos que se tornam todos sorrisos quando alguém diz que vai cozinhar.

sábado, 29 de setembro de 2007

Ao subir uma longa rampa a distancia daquela caótica rua aumenta.
No caminho uma quadra antes do hostel uma cholita vende frutas.
Bananas e mandarinas são as escolhidas.
Os funcionários dizem Hola Brasil com um grande sorriso sorriso ao vê-lo entrar (brasileiros junto com os irlandeses têm fama de serem os mais amigáveis do mundo) este brasileiro sorri de volta para o staff ao mesmo que joga uma mandaina para um francês artesão que tocava um tambor.
Uma felicidade sem palavras é compartida pelos dois ao constarem que a fruta está super doce e saborosa.
Aos dois juntam-se a Martina e a Charo.
Um mate con galleta numa tarde qualquer em La Paz. Um canadense de bandana agarra o violão.
Andreas da Noruega chega com sua barba peculiar acompanha a melodia com a cabeça...
No meio de uma cidade bagunçada como La Paz, no centro de um hostel não muito organizado, um cenário cosmopolita.
Onde todos decidem aproveitar o movimento.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Depois de ter me acostumado com a altitude,
Depois de ter me conscientizado da menor quantidade de oxigênio nos pulmões,
uma partida de futebol com os bolivianos.
Dá para jogar mas a sensação é diferente.
Com menos oxigênio há menos energia para correr,
Ao mesmo tempo fica claro porque por aqui as coisas,
vão mais devagar...
... mais calmas.

domingo, 23 de setembro de 2007

Ao viajar por novos terrenos escutamos algumas impressões variadas.
Algumas pessoas se relacionam bem com os locais.
Outras reclamam que elas são antipáticas ou hostis.
Cada vez mais me está claro que estas impressões são um espelho de como nós mesmos agimos com os outros.
Que boa sensação a de entrar em contato com alguém desconfiado, fechado.
E em poucos minutos ganhar a confiança dessa pessoa
conquistar uma amizade...
Um sorriso constroi.
Todas as outras coisas nada fazem
ou destroem
Um sorriso aproxima.
Ilumina o medo e o receio.
Um sorriso é a resposta
para palavras que persistem.
Um sorriso abre portas.
E proporciona de forma única
identificação.

Um brilho inconfundível
daquele honesto sorriso
teve como inevitável retribuição
um mundo inteiro sorrindo de volta
com alegria e descontração.

O poder da união
começa com um sorriso.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Chegada em la Paz























Ao chegar em La Paz pela noite foi inevitável a sensação de que se havia chegado em uma cidade de maior porte.
O hostel indicado por amigos argentinos em Potosí se chamava El Carretero.
Era um alojamento simples (bem simples), com as paredes dos quartos rabiscadas com as idéias e desenhos mais loucos dos viajantes mais pirados que passaram por aquele lugar.
Apesar das limitações era um hostel bem conhecido e barato. Eu e a Martina estávamos empolgados e o fato da ducha ser fria em um lugar que fazia uns 5 graus não cortou a nossa animação.
La Paz é o lugar para fazer tudo o que se tem que fazer numa cidade grande. Há mais restaurantes, lugares para comprar casacos de LLama, luvas, um cachecol... tudo a preços irrisórios.
Primeiro era hora de descansar um pouco. Fomos ver o terraço do hostel tomando um mate quentinho e- que sorte!- havia uma vista linda com um céu aberto e estrelado. Dava para ver boa parte da cidade lá de cima... só por isso já valeu a pena o dinheiro pago ali.

Ao despertar tomava café da manha e subia logo lá para o terraço. A cada momento a luz do sol criava um efeito diferente. Era um lugar aonde tinha privacidade para praticar e curtir o visual.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Após conhecer um pouco mais a cidade de Potosí era hora de seguir viagem.
Eu e a Maritina da Alemanha compramos nossa passagem rumo a La Paz.
Muitos dos nossos conhecidos foram para o Salar de Uyuni. Eu decidi que não era o momento ideal para ir e que iria desde San Pedro de Atacama no Chile.
...
Depois de um tempo viajando se começa a ver um padrão. As pessoas estão mais solícitas, estão mais abertas.
É impressionante a facilidade de juntar grupos com uma energia alegre e espontânea numa situação assim. Quero levar comigo o máximo dessa energia, sinto como se pudesse enxergar de maneira mais clara o fluxo e os padrões da vida.
Será que isso tem que se perder na rotina do dia a dia no lugar escolhido para me estabelecer?
No creo...
;-)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O olho do Inca.

El ojo del inca com seu visual paradisíaco é capaz de proporcionar momentos de puro deleite. Uma lagoa de água quente numa altitude Boliviana com lindas montanhas ao redor...
A Charo da Argentina, o Robert da Irlanda, o Peter da Nova Zelandia, e o Roberto do Brasil. Uma galera buena onda curtindo bons momentos em um lugar único.
A arte de cultivar tempos de felicidade!

...





























quinta-feira, 6 de setembro de 2007

As minas de Potosí

























As minas de Potosí são a principal fonte econômica da cidade.
A vida dos trabalhadores é dura e a expectativa de vida dos que trabalham na extração de metais é de pouco mais de 35 anos.
Há um tour para conhecer as minas e havia um certo receio que este tour tivesse um tom exploratório, porém logo pude ver que na verdade os trabalhadores se alegram com a presença dos turistas.
Não bastava a altitude, o ar dentro das cavernas era consideravelmente menor, e cheio de poeira...
Os caminhos eram estreitos o que não fazia do tour um caminho recomendado para claustrofóbicos.
Em um momento o guia falou para todos apagarem as luzes para podermos ver como era a situação dos trabalhadores quando a luz do capacete quebrava... realmente precisavam de calma para lidar com uma situação dessas.
No caminho encontramos um trabalhador que sorriu quando nos encontrou, ele me mostrou como se fazia um buraco na rocha dura com uma picareta e eu pude constar como era difícil esculpir pequenos buracos onde entrariam as dinamites ( durante o tour escutávamos de vez em quando o estrondo de alguma dessas bombas sendo detonadas em algum ponto mais distante da gruta).



















Talvez o que mais me chamou a atenção nas minas foi a figura que "abençoava" os trabalhadores. Era uma figura parecida com um diabo chamada de "Tio". O mais peculiar aqui é que muitos eram cristãos pelo dia e veneravam o Tio pela noite, tudo muito normal por aqui...
Depois de trocar algumas palavras alegres com os trabalhadores eu saí exausto das minas. O guia me deixou explodir uma dinamite e eu pude ver que era um pouco mais forte que bombinha de São João.
Estava no meio da tarde e alguém sugeriu um ótimo local para relaxar o corpo depois das minas:
"El Ojo del Inca"...
Foram poucas horas naquele local peculiar, mas foi impressionante. Quando vemos pessoas que literalmente passam a maior parte do tempo neste ambiente, onde o escuro é onipresente, passamos a valorizar mais a luz no final do túnel...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007



Quantas pessoas, quantas vidas distintas.
Numa viagem com pessoas tão diferentes o que se nota é algo universal.
Muitas pessoas buscando um sentido, ou simplesmente tentando viver intensamente.
Neste cenário estar feliz e não buscar nada é um privilégio e é privilegiado assim que eu me sinto.
Fui ao mercado central de Potosí para me aventurar nas tantas variedades de legumes, verduras e temperos... tantas cores que eu me senti inspirado para cozinhar para o pessoal do hostel.
E que momento divertido! Foi uma refeição simples: Arroz acompanhado de cenouras, batatas e abóboras. Não sei se foram as especiarias que eu trazia comigo. Talvez tenha sido a pimenta boliviana que deu um toque especial!
Fiz o suficiente para umas quinze pessoas e a esta altura já éramos um grupo internacional bem integrado. Ver a reação de felicidade deles com o jantar foi sem dúvida recompensador.

No dia seguinte o sol brilhava forte e o clima estava agradável. Uma festa na rua para variar. Aqui parecia que haviam festas e blocos de rua todos os dias com muitas cores e música.

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Potosí se revelou ainda mais interessante do que Sucre. Um pouco maior, mais desordenada e com novos componentes que me despertaram a curiosidade.
Aqui a altitude e o frio se mostraram mais intensos. Na primeira ladeira que tive que subir senti um cansaço forte. No Rio eu estava em boa forma mas aqui eu tive que reaprender a administrar o oxigênio e a respirar de uma forma compatível com o clima rarefeito.
Os exercícios respiratórios ajudaram bastante e pouco a pouco eu fui me acostumando.
As minas de metais são a maior fonte econômica da cidade. Trabalhar em um local fechado e empoeirado em um local alto como Potosí me parecia uma loucura mas a maioria das pessoas havia trabalhado nelas ao menos uma vez na vida, e aqueles que ainda trabalham tem a expectativa de vida de uns 35 anos...
Cheguei neste Hostel, La Casona, e me senti a vontade.
Estava tarde mas estava esta menina do Quênia que morava em Londres e passeava pela Bolívia. Mesmo muito cansado me diverti com as historias que ela me contou durante algumas horas.
Finalmente me rendi a um sono agradável sob três mantas.

sábado, 18 de agosto de 2007

Imastyki = ¿Que te llamas?






Sucre, Bolivia.

Sucre foi uma ótima surpresa. O caminho de Santa Cruz até aqui já foi bem promissor com um rio seco e uma pequena cordilheira que não se parecia com nada que eu havia visto até então.
Engraçado como apesar de estar viajando por conta própria eu nunca estive de fato sozinho em nenhum momento. O legal é que quando você vê uma pessoa de fora caminhando por aí você geralmente pode chegar e falar com esta pessoa como se ela fosse conhecida sua de toda a vida.
Assim, eu tomei café da manhã com um pessoal da Holanda e Austrália, almocei com uma menina da Alemanha que conheci na praça e encontrei novos viajantes pela noite...
Aqui em Sucre, após alguns sufocos iniciais na fronteira com o Brasil e em Santa Cruz eu finalmente me sentia na Boliva.
A arquitetura colonial, o povo hospitaleiro... gostei de tudo nesta cidade.
Me disseram que Sucre era bonitinha mas não valia a pena ficar muito tempo, realmente a cidade é pequena mas vale uma estadia de dois dias.
Vim dormindo no ônibus e deixei as malas na rodoviária já que pela noite eu iria para Potosí.
Em algumas horas conheci bem o centro da cidade e fui caminhando até o Mirador pela calle San Alberto.
Foram os melhores momentos da viagem até então. Nada de realmente excepcional mas fiquei lá em cima com uma vista privilegiada da cidade enquanto olhava os jovens jogando bola na praça. Eu sentia um pouquinho os efeitos da altitude e fazia exercícios respiratórios para compensar.
Algumas jovenzinhas que estudavam me olhavam com curiosidade, com alguma timidez se aproximaram e puxaram conversa. Foram elas que me ensinaram como dizer " Como se chama?" em Quecha, língua dos povos nativos que muitos ainda falam por aqui.
As chôlas também estavam por toda parte com os tecidos coloridos envolvendo o corpo, com a expressão distante e algumas com um bebê nas costas.
Foram horas muito agradáveis com um friozinho que não chegava a incomodar mas logo chegou o final da tarde e era hora de ir para Potosí.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007


Cruzando a fronteira.

De Cáceres peguei o ônibus que partia cinco da manhã. Ainda bem que acordei sozinho 4:40 porque eu havia pedido para o vigia me acordar 4:30 e ele simplesmente se esqueceu.
Agora sim eu iria finalmente estar na Bolívia, o primeiro destino internacional.
Cheguei cedo ainda em San Mathias. As primeiras bandeiras foram avistadas enquanto eu era encaminhado a uma casa do exército onde eles carimbaram meu passaporte.
Foi um dia pouco comum, era feriado nacional na Bolívia. Eu ainda estava sonolento quando vi uma tropa grande do exército desfilando nas ruas de terra da cidade. Fiquei algumas horas ali, vendo as crianças bolivianas de uma escola local brincarem até chegar o ônibus para Santa Cruz.

...

Até então só tinha travado contato com brasileiros, mesmo em San Mathias. Depois de percorrer a estrada em um percurso mais longo ao som de pagodinho brasileiro de quinta categoria cheguei em Santa Cruz e conheci alguns bolivianos na rodoviária.
A cidade à primeira vista era bem mais urbana-caótica. Fui para um alojamento no centro da cidade mas não me sentia seguro de deixar a mochila nem mesmo no meu quarto.
Comprei uma passagem para Sucre e ao embarcar conheci três brasileiros, Dois de BH e uma de Sampa. Conversamos um pouco no caminho mas eles seguiram viagem com destino a Potosí. Eu iria parar em Sucre antes.

Levei um caderno para fazer anotações mas ele ficou na mochila. Me acostumei a escrever em folhas de guardanapo...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Centro Oeste e fronteira.

Cuiabá, Brasil.
Depois de encontrar uma passagem pela metade do preço eu voei para Cuiabá. Esta pequena mudança na verdade mudaria totalmente meu itinerário planejado, mas tudo bem, eu já esperava por isso. Cheguei por volta de meia noite, numa hora em que o frio se mostrou forte pela primeira vez.
Estava bem protegido com o cachecol que uma amiga querida me deu de presente e nem senti falta do casaco.
Fui para uma pousadinha simples chamada Eco do Pantanal. Havia na rodoviária um representante de lá que nem cobrou pelo transfer.
Como havia dormido pouco aproveitei o friozinho e tirei o sono atrasado. No dia seguinte após o café da manha peguei um táxi para a rodoviária de Cáceres que é uma cidadezinha bem pequena, mesmo senda a maior do Mato Grosso ( e segundo alguns a mais pobre do estado).
De lá eu iria para a Bolivia...
Tive que dormir em Cáceres uma noite já que o ônibus só sairia às 5 da manha do dia seguinte.
Depois de passar por uma cidade cara como São Paulo aqui eu sentia que fazia uma economia significante. Claro que eu não poderia esperar muito luxo, uma simples cama já seria mais que suficiente.
Aqui tive que usar algum español pela primeira vez .
Quando fui tomar banho percebi que da altura do peito para cima a parede do banheiro era vazada e quem estava do lado de fora poderia ver quem se banhava.
Já estava me preparando para a ducha ( fria como única opção) quando ouço uma voz de meninha.
" ¿Tienes Papel?"
Percebi que era uma menina Boliviana de uns 7 anos, após a surpresa inicial respondi com um "No".
Ela não pareceu se dar por satisfeita pois continuou perguntando:
" ¿Y como te va a limpiar?
Eu sorri e respondi:
"Solo me voy a bañar."
Agora sim ela pareceu entender. Sorriu de volta e foi embora.

….

Após o banho o momento parecia ideal para a minha prática diária. Não sei exatamente o porquê mas foi a melhor prática individual das últimas semanas.

Era dia de dormir cedo, 4:30 da manha eu teria que acordar.

Urbes

Primeira parada São Paulo
Escolhi dar uma parada nesta grande metrópole para evitar uma viagem de mais de 24 horas até a fronteira com a Bolívia.
Ao chegar na rodoviária do Tiete lembrei pelo preço do café da manhã que as coisas eram mais caras por aqui, pelo menos em relação às outras cidades do meu itinerário. Tive vontade de não ficar nem uma noite em Sampa, mas ao pensar melhor vi que seria melhor descansar uma noite já que não havia dormido no ônibus no trecho Rio-Sp.
Liguei para um dos meus contatos em Sampa, o grande Rodrigo Machado. Mesmo todo cheio de trabalho ele se comprometeu a me buscar próximo ao MASP na Av. Paulista.
Ao saltar da estação do Metrô senti algo como um bafo de fumaça no ar. Parecia piada, um clichê de cidade grande com uma grande núvem cinzenta rodeando a cidade. Logo percebi que foi uma sensação passageira (ou os meus sentidos se adaptaram ao novo cenário). Minha atenção voltou-se ao visual imponente ao redor, com todos os mega-edifícios e com toda a vibração pró-labore do local.
Sou do Rio de Janeiro mas posso dizer sem hesitar que adoro São Paulo. É sempre um prazer enorme visitar a cidade.
Tiësto e Armin Van Bureen providenciam a trilha sonora que parece combinar perfeitamente com o que vejo aqui.
Na mochila uma edição bilíngue de um Neruda espera para ser devorado.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Um jovem que caminhava.
Em algum lugar suas memórias desvaneciam.
O que sobrava era o este atual.
Seu poder havia sido ampliado
Mas ainda estava longe do seu potencial máximo
- o infinito.

E ao olhar para o caminho à sua frente
As paisagens se confundiam
As vezes planícies sem fim
Eram montanhas e cordilheiras
da mais alta estatura.
As vezes lagos calmos e serenos
eram cachoeiras impetuosas.

Sempre era momento de plantar
Aquilo que realmente importava cultivar
Um sorriso ao rosto de sincera espontaneidade
de ser pego de surpresa por uma brisa fria
brincalhona brisa...

O sol nutre de energia
A maça que será apreciada com deleite.
E esta felicidade será compartilhada
Invariavelmente
Entre pequenas casinhas de um vilarejo

E quando um amante supera o amor
Pelos olhos da sua amada
Tudo o que resta é compartilhar a escolha conquistada.

Neste momento o faz com a oferta da saborosa maçã
Neste pequeno vilarejo
Próximo ao vulcão
Ou nas grandes metrópoles
Que estão no seu caminho.

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Ao se relacionar
Com velhos, crianças e adultos
com o olhar de profunda inspiração
Dela
Se faz necessário não baixar
Afinal não estava acima de nada ou de ninguém
Porém ao mirar a formiga
Não deixa de ver ao mesmo tempo a mais longínqua estrela.
Quando um sorriso despretensioso
Esconde dos outros um poder.

domingo, 15 de julho de 2007

Ithaca

"Ithaca", do poeta grego Cavafy.
Traduzido do grego para o inglês...



When you set out on your journey to Ithaca,
pray that the road is long,
full of adventure, full of knowledge.

The Lastrygonians and the Cyclops,
the angry Poseidon -- do not fear them:
You will never find such as these on your path,
if your thoughts remain lofty,
if a fine emotion
touches your spirit and your body.

The Lastrygonians and the Cyclops,
the fierce Poseidon you will never encounter,
if you do not carry them within your soul,
if your soul does not set them up before you.

Pray that the road is long.
That the summer mornings are many, when,
with such pleasure, with such joy
you will enter ports seen for the first time;
stop at Phoenician markets,
and purchase fine merchandise,
mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
and sensual perfumes of all kinds,
as many sensual perfumes as you can;
visit many Egyptian cities,
to learn and learn from those who know

Always keep Ithaca in your mind.
To arrive there is your ultimate goal.
But do not hurry the voyage at all.
It is better to let it last for many years;
and to anchor at the island when you are old,
rich with all you have gained on the way,
not expecting that Ithaca will offer you riches.

Ithaca has given you the beautiful voyage.
Without her you would have never set out on the road.
She has nothing more to give you.

And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
Wise as you have become, with so much experience,
you must already have understood what Ithacas mean.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Preparação.


Foto por Raphael Studer

E o que se pode esperar do novo desconhecido a frente?
Não se espera uma aventura, apesar do prazer em cada novo passo.
Não é uma procura por reclusão, esta pode ser encontrada qualquer dia, em qualquer lugar.

Tampouco se deseja a introversão... pelos mesmos motivos.
Mas se pode desenvolver o carinho, então aí está algo a ser feito.
Se posso desenvolver a ternura, então eu devo.
Com os diversos tipos que conhecer.
Rostos, emoções, razões, árvores e pedras.
Não é uma busca por um caminho.
Afinal eu já tenho o meu.
É como uma chance única.
De firmar o que já se sabe.
De se pôr a prova ao múltiplo.
De cada vez entender a si próprio, mesmo quando o tempo ao meu redor mudar.
E estabelecer contato com aqueles,
de semelhante sintonia.

Só uma passagem para o que me aguarda no final da jornada.
Onde eu monto acampamento.
Por tempo indeterminado.
Ali de fato tudo começa.